Transparência e anonimato
APP 1 e 2: ter uma política de privacidade clara e atualizada e, quando possível, deixar a pessoa interagir sem se identificar.
Guia · Regulamento australiano
A Austrália regula a privacidade com uma lei de 1988 e 13 princípios que valem para empresas e órgãos públicos. A reforma de 2024 criou o direito de processar por invasão grave de privacidade, multas novas e um código para crianças. Veja o que isso muda para um site com visitantes australianos.
O que é
O Privacy Act 1988 é a lei federal de privacidade da Austrália. O centro dela são os 13 Princípios Australianos de Privacidade, chamados de APPs, que dizem como coletar, usar, guardar, compartilhar e corrigir informações pessoais. Quem fiscaliza é o OAIC, o escritório do Comissário de Informação australiano.
A lei vale para órgãos do governo federal e para organizações com faturamento anual acima de 3 milhões de dólares australianos. Algumas empresas menores entram mesmo assim, como prestadores de serviços de saúde e quem repassa dados pessoais a terceiros em troca de algum benefício sem consentimento. Juntas, essas organizações são chamadas de entidades APP.
Empresas estrangeiras também podem ser alcançadas quando têm ligação com a Austrália, por exemplo por fazer negócios no país. Se isso inclui um site de fora que só recebe visitantes australianos depende do caso concreto, então vale seguir as boas práticas de qualquer forma.
Informação pessoal é qualquer informação ou opinião sobre uma pessoa identificada ou razoavelmente identificável. Informação sensível inclui saúde, origem racial, opinião política, religião, orientação sexual, antecedentes criminais e dados genéticos e biométricos, e em regra só pode ser coletada com consentimento.
Checklist
O que o Privacy Act, os APPs e a Spam Act pedem de um site com anúncios coberto pela lei australiana.
A política precisa ser clara, atualizada, gratuita e dizer se os dados vão para outros países. O Google também exige que ela diga que terceiros, como o Google, usam cookies para mostrar anúncios.
Ao coletar dados, como num cadastro ou numa newsletter, diga para que eles servem e os demais pontos do APP 5.
Usamos seu e-mail só para enviar a newsletter semanal. Veja na política de privacidade como acessar ou corrigir seus dados.
Em regra, a pessoa pode não se identificar ou usar um pseudônimo, salvo quando a lei exige ou isso não é viável.
Coletar informação sensível, como saúde ou religião, exige consentimento em regra. Usar informação sensível em marketing direto também exige consentimento.
Quem usa dados pessoais em marketing direto precisa oferecer um jeito simples de pedir para não receber mais.
Mensagens comerciais exigem consentimento, identificação correta do remetente e opção de cancelar em todas elas. O pedido de cancelamento deve ser atendido em até cinco dias úteis.
Enviado por Empresa Exemplo. Não quer mais receber? Cancelar inscrição.
Antes de mandar dados para fora da Austrália, tome medidas razoáveis para que quem recebe não viole os princípios.
Quando um vazamento pode causar dano grave, avise as pessoas afetadas e o OAIC, que tem um formulário online para isso.
Na prática
Ferramentas oficiais
O Google não exige CMP certificada nem tem mensagem própria para a Austrália, então os links abaixo são do OAIC, da ACMA e do Google.
Os 13 princípios
Os princípios seguem o caminho do dado, do momento em que ele é coletado até o pedido de correção.
APP 1 e 2: ter uma política de privacidade clara e atualizada e, quando possível, deixar a pessoa interagir sem se identificar.
APP 3 a 5: coletar só o necessário, por meios justos, e avisar a pessoa sobre quem coleta, para quê e com quem compartilha.
APP 6 e 7: usar os dados para a finalidade original e oferecer, no marketing direto, um jeito simples de sair.
APP 8: antes de mandar dados para fora do país, tomar medidas razoáveis para que o destinatário respeite os princípios.
APP 9 a 11: não adotar números de identificação do governo como seus, manter os dados corretos e protegê-los, apagando o que não for mais preciso.
APP 12 e 13: dar acesso aos dados que a organização tem sobre a pessoa e corrigir o que estiver errado.
Consentimento, cookies e marketing
A Austrália não tem uma regra geral que obrigue banner de cookies, como a europeia. A lei trabalha com aviso e transparência: a pessoa precisa saber que os dados estão sendo coletados e para quê. Cookies e identificadores que permitem reconhecer alguém entram nessas regras quando a pessoa é razoavelmente identificável.
O consentimento é exigido em situações específicas, como coleta de informação sensível e uso dos dados para uma finalidade diferente da original. Para o OAIC, consentimento precisa ser informado, voluntário, atual e específico, e a pessoa precisa ter capacidade para dá-lo.
No marketing direto, o APP 7 permite usar dados pessoais quando a pessoa esperaria esse uso, desde que exista um jeito simples de sair e o pedido de saída seja respeitado. E-mails e SMS comerciais também seguem a Spam Act 2003, que exige consentimento, identificação do remetente e opção de cancelamento em cada mensagem.
Com crianças, a regra vai ficar mais dura. O rascunho do código de privacidade online para crianças, publicado em março de 2026, prevê consentimento antes de usar dados de crianças para publicidade direcionada em serviços que elas provavelmente acessam.
Reforma de 2024 e multas
A Privacy and Other Legislation Amendment Act 2024 recebeu a sanção em 10 de dezembro de 2024. Parte das regras valeu no dia seguinte e parte tem prazos próprios.
Desde 10 de junho de 2025, uma pessoa pode processar quem invadiu gravemente a privacidade dela, por intrusão ou uso indevido de informações. Vale também para quem não é entidade APP.
O OAIC precisa registrar até 10 de dezembro de 2026 um código para redes sociais e serviços online que crianças provavelmente acessam.
A partir de 10 de dezembro de 2026, a política de privacidade precisa explicar quando decisões que afetam a pessoa são tomadas com uso de sistemas automatizados.
Além do teto para interferências graves, há faixas menores e notificações de infração para falhas como não ter política de privacidade clara e atualizada.
Desde dezembro de 2022, o máximo é o maior valor entre 50 milhões de dólares australianos, 3 vezes o benefício obtido e 30% do faturamento ajustado no período.
Em outubro de 2025, a Australian Clinical Labs foi condenada a pagar 5,8 milhões de dólares australianos por falhas de segurança e de notificação de vazamento.
Direitos das pessoas
A lei australiana fala em princípios, mas na prática eles viram direitos que o site precisa atender.
Pedir os dados que a organização guarda sobre ela. O pedido só pode ser negado nos casos previstos na lei.
Pedir a correção de dados errados, desatualizados, incompletos ou enganosos.
Interagir sem se identificar ou com um pseudônimo, quando isso for viável, como numa simples leitura de artigos.
Pedir para não receber marketing direto e perguntar de onde a organização tirou os dados dela.
Se a organização não resolver a reclamação, levar o caso ao OAIC, que pode investigar e determinar medidas.
Entrar na Justiça por invasão grave de privacidade, com base no direito criado pela reforma de 2024.
Obrigações
Linha do tempo
Da lei original às obrigações que começam no fim de 2026.
A lei federal de privacidade é aprovada, inicialmente voltada ao setor público.
Os Princípios Australianos de Privacidade passam a valer para governo e empresas cobertas.
Começa o regime que obriga a avisar o OAIC e as pessoas sobre vazamentos com risco de dano grave.
O teto para interferências graves sobe para o maior valor entre 50 milhões, 3 vezes o benefício e 30% do faturamento ajustado.
A Privacy and Other Legislation Amendment Act 2024 é sancionada. Novas multas e poderes do OAIC valem no dia seguinte.
Passa a valer o direito de processar por invasão grave de privacidade.
O OAIC publica o rascunho do código de privacidade online para crianças e abre consulta pública até 5 de junho.
Prazo para registrar o código infantil e início da obrigação de explicar decisões automatizadas na política.
Para quem tem AdSense ou Ad Manager
O Google não exige CMP certificada nem IAB TCF para a Austrália. Essa exigência vale para o Espaço Econômico Europeu, o Reino Unido e a Suíça. O tráfego australiano continua recebendo anúncios personalizados sem a mensagem do TCF.
O trabalho, então, está na transparência. A política de privacidade precisa dizer que o site usa cookies e parceiros de anúncios, que os dados podem ir para fora do país e como a pessoa exerce os direitos dela. Um link visível para as preferências de anúncios ajuda o visitante a entender e a escolher.
Pense num site brasileiro de finanças em português que recebe brasileiros morando em Sydney e Melbourne. Se a empresa fatura menos de 3 milhões de dólares australianos, pode estar fora da lei, mas a exceção de pequena empresa não vale para quem repassa dados pessoais a terceiros em troca de benefício sem consentimento. Quem compartilha identificadores com parceiros de anúncios deve avaliar esse ponto com cuidado.
Para conteúdo infantil, prepare-se para o código de 2026. O Google oferece o tratamento por idade nas tags de anúncios, que desliga a personalização para pedidos marcados como de criança.
Na prática
Exemplos do dia a dia de sites de conteúdo, vagas e finanças com público australiano.
Erros comuns
Falhas frequentes em sites com tráfego da Austrália.
Faturamento baixo não basta se o site repassa dados pessoais a terceiros em troca de benefício sem consentimento.
A política precisa ser clara e atual. Falhar nisso é uma das infrações que podem gerar notificação de infração depois da reforma.
Newsletter e SMS comerciais sem consentimento ou sem cancelamento violam a lei de spam, além dos princípios de privacidade.
Perguntas sobre saúde, religião ou orientação sexual exigem consentimento e cuidado redobrado.
Os dados vão para servidores de parceiros fora da Austrália. A política precisa dizer isso e o site continua responsável.
Sites com público infantil devem revisar publicidade direcionada e consentimento antes do registro do código, previsto para dezembro de 2026.
No ConsentMode
A lei australiana não exige um banner como o europeu. Ela exige transparência e, em alguns casos, consentimento. O Google também não exige CMP certificada para esse público. Um aviso claro e uma política completa são o mínimo.
A maioria das empresas com faturamento até 3 milhões de dólares australianos fica fora, mas há exceções, como quem repassa dados pessoais a terceiros em troca de benefício sem consentimento. Avalie o seu caso.
É um direito criado pela reforma de 2024 e em vigor desde 10 de junho de 2025. A pessoa pode processar quem invadiu gravemente a privacidade dela, e a Justiça pode mandar pagar indenização, parar a conduta ou pedir desculpas.
Ainda não. O rascunho foi publicado em março de 2026 e o OAIC precisa registrar o código até 10 de dezembro de 2026. Ele deve valer para redes sociais e serviços online que crianças provavelmente acessam.
O OAIC, escritório do Comissário de Informação australiano. Ele recebe reclamações, investiga, emite notificações e pode levar casos graves à Justiça para pedir multa.
Sim, quando puder causar dano grave. A organização avalia o caso em até 30 dias e, confirmado o risco, avisa o OAIC e as pessoas afetadas assim que possível.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site a partir da Austrália e mostra o que corrigir em banner, tags e política, sem alterar nada.