Publicidade direcionada
O visitante pode recusar que os dados dele sejam usados para anúncios baseados no que ele faz em outros sites e apps.
Guia · Estados Unidos
Nos Estados Unidos não existe uma lei federal única de privacidade. Cada estado vem criando a sua, quase todas no modelo de opt-out: os anúncios podem rodar, mas o visitante tem o direito de dizer não. Este guia explica esse modelo, a Califórnia, os sinais GPC e GPP e como o Google trata os estados americanos.
Visão geral
Os Estados Unidos não têm uma lei federal geral de privacidade como o GDPR ou a LGPD. No nível federal existem leis por setor e por público. As mais importantes para um site com anúncios são a lei da Comissão Federal de Comércio (FTC Act), que proíbe práticas enganosas e desleais, e a COPPA, que protege dados de crianças menores de 13 anos.
Na prática, isso quer dizer que a política de privacidade precisa contar a verdade. Se o site diz que não compartilha dados e os passa para redes de anúncios, a FTC pode tratar isso como prática enganosa. E se o conteúdo é voltado para crianças, os anúncios personalizados ficam de fora.
O espaço deixado pela esfera federal foi ocupado pelos estados. A Califórnia abriu o caminho com a CCPA, e desde 2023 uma lista crescente de estados aprovou leis abrangentes de privacidade do consumidor. Cada lei tem os seus limites de aplicação, prazos e detalhes, mas quase todas seguem o mesmo desenho.
Checklist
Cada estado tem detalhes próprios, mas estas obrigações aparecem na maioria das leis e nas regras do Google.
Quem faz publicidade direcionada ou vende dados precisa mostrar de forma clara como o visitante recusa. Na Califórnia, o link fica no cabeçalho ou no rodapé da página inicial.
Rodapé de todas as páginas: Do Not Sell or Share My Personal Information
Califórnia, Colorado desde 1º de julho de 2024 e Connecticut desde 1º de janeiro de 2025 exigem aceitar o Global Privacy Control como pedido de recusa. O visitante não precisa clicar em nada.
O Google liga o processamento restrito de dados, o RDP, quando recebe a recusa pela string GPP ou pela própria tag. Com o RDP, aquela visita recebe só anúncios não personalizados.
// GPT: liga o processamento restrito de dados (RDP)
// para quem recusou a venda ou a publicidade direcionada
googletag.cmd.push(function () {
googletag.pubads().setPrivacySettings({
restrictDataProcessing: true
});
});Virgínia, Utah e Colorado pedem que a política diga quais dados você trata, para quê, com quais tipos de terceiros e como o visitante exerce os direitos.
Usamos cookies de parceiros de anúncios para mostrar anúncios com base na sua navegação. Para recusar, use o link Do Not Sell or Share My Personal Information no rodapé.
Virgínia, Colorado e Connecticut exigem consentimento para dados como saúde, religião e orientação sexual. Em Utah, é preciso aviso claro e chance de recusar antes.
Pedidos de acesso, correção ou exclusão têm resposta em até 45 dias na Califórnia, na Virgínia, no Colorado, em Connecticut e em Utah, com uma prorrogação de mais 45. Na Califórnia, a recusa deve ser atendida em até 15 dias úteis.
Na Califórnia, vender ou compartilhar dados de quem você sabe ter menos de 16 anos exige autorização prévia. Abaixo de 13 anos, a autorização vem dos pais.
No AdSense e no Ad Manager, o controle Revisar seus parceiros de anúncios, em Privacidade e mensagens, define quais compradores podem servir anúncios nos estados com lei.
Privacidade e mensagens > Regulamentações dos estados dos EUA > ícone de configurações > Revisar seus parceiros de anúncios
Na prática
Ferramentas oficiais
O Google não exige CMP certificada para os estados dos EUA. Ele diz que usar GPP ou uma CMP não é obrigatório, mas a recusa do visitante precisa chegar aos anúncios. Estes são os caminhos oficiais.
O modelo estadual
Na Europa, o padrão é pedir permissão antes. Nos estados americanos, o padrão é permitir e dar ao visitante um jeito fácil de recusar.
O visitante pode recusar que os dados dele sejam usados para anúncios baseados no que ele faz em outros sites e apps.
O visitante pode recusar a venda dos dados. Na Califórnia, isso inclui o compartilhamento para publicidade comportamental entre contextos.
Saúde, origem racial, religião, orientação sexual e localização precisa têm proteção extra. Em vários estados exigem consentimento, e na Califórnia o visitante pode limitar o uso.
Califórnia, Colorado e Connecticut, entre outros, exigem respeitar sinais de opt-out enviados pelo navegador, como o Global Privacy Control.
Califórnia
A Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia (CCPA) foi ampliada pela Proposição 24, aprovada em novembro de 2020, conhecida como CPRA. Ela vale para empresas com fins lucrativos que fazem negócio na Califórnia e atingem pelo menos um destes limites.
Receita bruta anual a partir de US$ 26.625.000 no ano anterior, valor corrigido pela inflação a partir de 1º de janeiro de 2025.
Comprar, vender ou compartilhar dados de 100 mil ou mais residentes ou residências da Califórnia. Um site com muito tráfego americano pode chegar lá.
Obter 50% ou mais da receita anual com a venda ou o compartilhamento de dados pessoais de residentes da Califórnia.
Quem vende ou compartilha precisa de um link claro, em geral no rodapé, com o texto Do Not Sell or Share My Personal Information, Your Privacy Choices ou Your California Privacy Choices.
Os outros estados
Depois da Califórnia, as primeiras leis a entrar em vigor foram as da Virgínia, em 1º de janeiro de 2023, e as do Colorado e de Connecticut, em 1º de julho de 2023. Utah veio em seguida, com uma lei mais enxuta.
A lista continuou com Texas, Oregon, Montana, Iowa, Delaware, Nebraska, New Hampshire, Nova Jersey, Tennessee, Minnesota e Maryland. As leis de Indiana, Kentucky e Rhode Island começaram a valer em 1º de janeiro de 2026.
Os limites mudam de estado para estado. Na Virgínia, por exemplo, a lei alcança quem trata dados de pelo menos 100 mil consumidores no ano, ou de 25 mil consumidores com mais de metade da receita vinda da venda de dados. No Colorado, o limite é de 100 mil consumidores, ou receita com a venda de dados de 25 mil ou mais.
Como cada estado tem detalhes próprios, o ConsentMode tem guias separados para os principais. Esta página dá a visão de conjunto. A regra prática é configurar o site uma vez pelo modelo mais exigente e aplicar o opt-out para todos os estados com lei em vigor.
Direitos
Os nomes variam, mas o conjunto de direitos é bem parecido de um estado para outro.
Perguntar quais dados a empresa tem e para que usa.
Pedir a correção de dados errados.
Pedir a exclusão dos dados, com algumas exceções previstas em lei.
Receber uma cópia dos dados em formato que possa ser levado a outro serviço.
Dizer não à publicidade direcionada, à venda de dados e a certos tipos de perfil.
Em vários estados, contestar a resposta negativa da empresa e pedir uma nova análise. Os prazos de resposta são curtos: na Virgínia, 45 dias para atender aos pedidos, prorrogáveis uma vez.
Sinais
O Global Privacy Control (GPC) é um sinal que o próprio navegador envia, em navegadores como Firefox, Brave e DuckDuckGo ou por extensão. Ele funciona como um botão de parar de vender ou compartilhar meus dados. A Califórnia exige que as empresas respeitem esse sinal como um pedido válido de opt-out.
No Colorado, aceitar mecanismos universais de opt-out passou a ser obrigatório em 1º de julho de 2024, e o GPC foi o primeiro reconhecido pelo estado. Em Connecticut, a obrigação vale desde 1º de janeiro de 2025. Ou seja: um visitante com GPC ligado deve ser tratado como se tivesse clicado no link de opt-out.
O Global Privacy Platform (GPP) é outra coisa. É o formato criado pelo IAB Tech Lab para a CMP passar a escolha do visitante a todos os parceiros de anúncios, com seções para os estados americanos. Ele substitui a antiga string US Privacy, que o IAB descontinuou em janeiro de 2024.
Resumo: o GPC é o pedido que chega do navegador. O GPP é a forma de a CMP avisar o Google e as outras redes sobre o que o visitante escolheu.
Linha do tempo
Datas confirmadas nas fontes oficiais de cada estado.
Eleitores aprovam a CPRA, que amplia a CCPA e cria a agência estadual de privacidade (CPPA).
Começam a valer as novas proteções da Califórnia e a lei da Virgínia. O Google amplia o processamento restrito de dados para as leis estaduais.
As duas leis entram em vigor com direito de opt-out de publicidade direcionada.
O IAB descontinua a string US Privacy em favor do GPP.
Empresas passam a ter que aceitar sinais como o GPC.
Connecticut passa a exigir respeito aos sinais de opt-out. A Califórnia corrige pela inflação limites e multas.
Três novas leis estaduais começam a valer. Na Califórnia, entram em vigor regras sobre decisões automatizadas, avaliações de risco e auditorias.
AdSense e Ad Manager
O Google oferece o processamento restrito de dados (RDP) desde 2019, criado para a CCPA, e o ampliou em janeiro de 2023 para as leis estaduais. Com o RDP ligado, o Google limita o uso de identificadores e só serve anúncios não personalizados para aquela visita.
O RDP pode ser ligado de três formas: por uma CMP que envia o sinal GPP, por configuração em cada solicitação de anúncio na tag do site, ou para todo o tráfego dos estados aplicáveis nas configurações de Privacidade e mensagens. A configuração por solicitação combina bem com um link de opt-out no rodapé.
No AdSense e no Ad Manager também existe o controle Revisar seus parceiros de anúncios, em Regulamentações dos estados dos EUA, para escolher quais compradores podem servir anúncios aos usuários desses estados. O Google recomenda migrar da string US Privacy para o GPP, embora ainda leia a string antiga por compatibilidade.
Diferente da Europa, o Google não exige CMP certificada para os Estados Unidos. Mas o editor continua responsável por oferecer o opt-out exigido pelas leis estaduais e por manter a política de privacidade correta.
O que fazer
Na prática
Exemplos com base no modelo de opt-out das leis estaduais.
No ConsentMode
Podem valer, se o site faz negócio com residentes do estado e atinge os limites da lei, como o volume de visitantes da Califórnia. Cada lei tem critérios próprios. Na dúvida, oferecer o opt-out e respeitar o GPC é uma configuração simples e segura.
Em regra, não no formato europeu. O modelo americano pede um link de opt-out e transparência na política de privacidade. Para dados sensíveis, alguns estados pedem consentimento.
As visitas com RDP recebem só anúncios não personalizados, que costumam pagar menos. Por isso o ideal é ligar o RDP para quem fez opt-out, e não para todo o tráfego do mundo.
O GPC é o sinal que o navegador do visitante envia dizendo não venda meus dados. O GPP é o formato que a CMP usa para passar a escolha do visitante às redes de anúncios.
Desde 1º de janeiro de 2025, até US$ 2.663 por violação e até US$ 7.988 por violação intencional ou que envolva menores de 16 anos. As outras leis estaduais têm valores próprios, como até US$ 7.500 por violação na Virgínia.
O ConsentMode tem guias separados para os principais estados. Esta página resume o que eles têm em comum e o que muda no Google.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria confere link de opt-out, GPC, GPP e sinais enviados ao Google, e mostra o que corrigir.