Editores
Donos de sites e apps que exibem anúncios. Escolhem a CMP, decidem quais parceiros aparecem no banner e repassam o sinal aos parceiros.
Guia · Padrão do setor
O TCF é a linguagem comum que banners de consentimento e empresas de anúncios usam na Europa. Neste guia você entende a TC string, as versões em vigor, as obrigações do site e o que acontece com a receita quando o sinal falta ou chega quebrado.
O que é
O Transparency and Consent Framework, ou TCF, é um padrão criado pela IAB Europe, a associação europeia de publicidade digital. Ele define como o banner de consentimento pergunta ao visitante, como guarda a resposta e como avisa cada empresa de anúncios sobre essa escolha.
O banner que segue o padrão se chama CMP, sigla de plataforma de gestão de consentimento. Quando o visitante clica em aceitar, recusar ou salvar preferências, a CMP grava a escolha num código curto chamado TC string. Esse código viaja junto com cada pedido de anúncio.
Assim, o Google, a Amazon, a Microsoft e centenas de outras empresas leem a mesma resposta, no mesmo formato. Sem o TCF, cada parceiro precisaria de uma integração própria com o banner do seu site, e ninguém teria certeza de que a escolha chegou inteira.
O TCF é voluntário e não é uma lei. Ele é uma ferramenta para ajudar quem participa a cumprir o GDPR e as regras europeias de cookies. Mesmo assim, na prática, ele virou o caminho que quase todo o mercado de anúncios usa na Europa.
Checklist
Estes são os pontos que as políticas da IAB Europe e o Google pedem de um editor que usa o TCF.
As políticas do TCF só permitem trabalhar com CMPs registradas e em dia com as regras. Para anúncios personalizados do Google no EEE, Reino Unido e Suíça, a CMP também precisa estar na lista de certificadas do Google.
Antes de contratar, procure a CMP nas duas listas: a da IAB Europe e a do Google.
O editor precisa manter as informações legais numa política de privacidade pública, com link em destaque a partir do conteúdo.
Link Política de privacidade no rodapé de todas as páginas.
As políticas pedem uma declaração pública de que o site cumpre as regras do TCF, com o número de identificação da CMP usada.
Este site participa do Transparency and Consent Framework da IAB Europe e segue suas políticas e especificações. A CMP usada tem o ID informado pelo fornecedor da sua CMP.
O editor decide com quais fornecedores trabalha. Inclua no banner o Google e todos os parceiros de anúncios que realmente rodam no site.
Revise a lista de fornecedores da CMP a cada novo parceiro de header bidding.
A escolha do visitante precisa chegar aos parceiros presentes no site. Sem consentimento na finalidade 1, o Google orienta a não chamar a tag de anúncios dele.
O visitante deve conseguir reabrir a tela da CMP por um link ou botão fácil de achar. As políticas também pedem lembrar o direito de se opor ou de retirar o consentimento.
Um link fixo no rodapé, Preferências de privacidade, reabre a CMP.
Quando o editor inclui um fornecedor novo, a CMP precisa mostrar a tela de escolhas de novo para colher a resposta.
O editor precisa seguir as especificações sem modificações não previstas. Os nomes das finalidades e dos recursos não podem ser trocados.
Na prática
Ferramentas oficiais
Para anúncios do Google, a CMP precisa estar nas duas listas: a da IAB Europe e a de certificadas do Google.
A quem se aplica
O padrão envolve quatro tipos de participante. Cada um tem regras próprias nas políticas da IAB Europe.
Donos de sites e apps que exibem anúncios. Escolhem a CMP, decidem quais parceiros aparecem no banner e repassam o sinal aos parceiros.
As empresas que fazem o banner. Precisam se candidatar à IAB Europe, ser aprovadas e seguir as especificações técnicas à risca.
Empresas de anúncios e medição registradas na lista global. Leem a TC string e só usam os dados conforme a escolha registrada.
O TCF europeu foi feito para as regras do EEE e do Reino Unido. Para visitantes dos Estados Unidos ou do Brasil, outros sinais e leis entram em jogo.
Definições
Estes termos aparecem nas configurações da CMP, nos relatórios do Ad Manager e na documentação dos parceiros.
Código que guarda a escolha do visitante: quais finalidades aceitou, a quais empresas deu permissão e qual CMP gerou o registro.
São 11 usos de dados, como guardar informações no aparelho, criar perfis para anúncios personalizados e medir o desempenho dos anúncios.
Usos que não dependem de escolha, como segurança e prevenção de fraude, entregar o anúncio e guardar a própria escolha de privacidade.
Técnicas mais sensíveis, como dados de localização precisa e identificação do aparelho, que precisam de permissão separada.
A Global Vendor List reúne as empresas registradas, cada uma com um número. O Google é o fornecedor 755.
Parte da TC string, chamada disclosedVendors, que diz quais empresas foram de fato mostradas no banner. Obrigatória desde a v2.3.
Consentimento e direitos
Para cada finalidade, o fornecedor declara a base legal que usa: consentimento ou interesse legítimo. No consentimento, nada acontece até o visitante dizer sim. No interesse legítimo, o uso pode começar, mas o visitante tem o direito de se opor.
A CMP precisa mostrar as duas coisas de forma clara. O visitante pode aceitar tudo, recusar tudo ou escolher finalidade por finalidade e empresa por empresa. Também precisa ver a lista de parceiros e o que cada um faz.
A escolha não é definitiva. O visitante pode voltar ao banner a qualquer momento, retirar o consentimento ou mudar de ideia. Por isso, sites bem configurados deixam um link fixo, como Preferências de privacidade, no rodapé.
Para o editor, a regra prática é simples: o banner precisa contar a verdade sobre quem recebe os dados e precisa deixar recusar tão fácil quanto aceitar.
Obrigações do site
// Espera a CMP antes de liberar os anúncios
__tcfapi('addEventListener', 2, function (tcData, ok) {
if (!ok) return;
if (tcData.eventStatus === 'tcloaded' ||
tcData.eventStatus === 'useractioncomplete') {
// tcData.tcString está pronta
// agora carregue ou libere os pedidos de anúncio
}
});AdSense e Ad Manager
Desde 16 de janeiro de 2024, o Google exige uma CMP certificada e integrada ao TCF para exibir anúncios personalizados no EEE e no Reino Unido. Desde 31 de julho de 2024, a regra vale também para a Suíça.
Sem CMP certificada, o tráfego dessas regiões pode receber apenas anúncios não personalizados ou anúncios limitados. Os dois pagam bem menos e nem todos os compradores participam. A Mensagem de privacidade do próprio AdSense e do Ad Manager é uma das opções certificadas.
O Ad Manager lê o TCF diretamente na página. TC strings europeias enviadas dentro do GPP não são aceitas para visitantes do EEE, Reino Unido e Suíça. Ou seja, mesmo usando GPP para os Estados Unidos, a Europa continua precisando do TCF próprio.
Se o site também usa Google Analytics ou Google Ads, a CMP certificada costuma enviar o Consent Mode junto. São dois sinais diferentes: o TCF fala com o ecossistema de anúncios e o Consent Mode fala com as tags do Google.
Linha do tempo
O padrão evolui em versões e passou por decisões importantes na Justiça europeia.
Os sistemas de anúncios do Google passam a ler o consentimento enviado no formato do TCF.
A autoridade de proteção de dados da Bélgica multa a IAB Europe em 250 mil euros por causa do TCF.
Para anúncios personalizados do Google nessas regiões, o site passa a precisar de CMP certificada e integrada ao TCF.
No caso C-604/22, o tribunal diz que a TC string pode ser dado pessoal e que a IAB Europe pode ser controladora conjunta.
A exigência de CMP certificada passa a valer para visitantes da Suíça.
O Tribunal de Mercado da Bélgica mantém a multa de 250 mil euros e confirma que a TC string é dado pessoal.
A partir de 1º de março de 2026, toda TC string nova precisa trazer o segmento de fornecedores divulgados.
As CMPs de sites passam a mostrar os novos textos e ilustrações das especificações 2.4, publicadas em 23 de julho de 2026.
A mesma atualização passa a ser exigida das CMPs em aplicativos e TV conectada.
Fiscalização
O TCF tem dois tipos de controle. O primeiro é o da própria IAB Europe, que aprova as CMPs, mantém a lista de fornecedores e pode suspender quem não segue as regras. O segundo é o das autoridades de proteção de dados, que aplicam o GDPR e as leis de cookies.
O caso mais conhecido começou na Bélgica. Em 2022, a autoridade local multou a IAB Europe em 250 mil euros. Em 2024, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que a TC string pode ser dado pessoal. Em 2025, o tribunal belga manteve a multa.
Para o editor, a lição é que usar o TCF não transfere a responsabilidade. Se o banner engana o visitante ou se os anúncios carregam antes da escolha, o site continua respondendo pelo erro.
Há ainda o controle comercial. O Google mostra no Ad Manager e no AdSense um relatório de erros do TCF e reduz os anúncios quando o sinal falha. Muitas vezes, é ali que o problema aparece primeiro, como queda de receita.
Erros comuns
O Ad Manager e o AdSense mostram códigos de erro do TCF nos relatórios. Estes são os que mais derrubam a receita.
O anúncio é pedido antes da CMP responder. Sem TC string, o Google entrega só anúncios limitados, e parte dos pedidos pode ficar sem anúncio.
O fornecedor 755 não foi incluído na CMP ou o visitante não o aceitou. O resultado também é anúncio limitado.
A string não traz a lista de fornecedores divulgados, ou o Google não está nela. Nesse caso, o Google não consegue processar o pedido.
A CMP segue o TCF, mas não está na lista do Google. O tráfego do EEE, Reino Unido e Suíça fica restrito a anúncios não personalizados ou limitados.
O pedido vem da Europa, mas sem nenhum dado do TCF. O Google trata como fora das regras e entrega anúncios limitados.
Código mal formado, versão 1 do TCF ou lista de fornecedores desatualizada. A correção costuma ser pedir o consentimento de novo.
Na prática
Exemplos do dia a dia de quem tem visitantes da Europa e de fora dela.
No ConsentMode
Não. O TCF é o padrão da IAB Europe que todos os parceiros de anúncios leem. O Consent Mode é o jeito do Google receber a escolha nas próprias tags, como Analytics e Google Ads. Uma CMP certificada costuma cuidar dos dois.
Só para os visitantes do EEE, Reino Unido e Suíça, se você quer anúncios personalizados do Google para eles. Para o público do Brasil, o Google não exige o TCF. Configure a CMP por região.
Pode, mas costuma sair caro. Visitantes de fora da Europa passam a ver uma mensagem de que não precisam, muitos recusam e a receita cai. O Google orienta marcar como sujeito ao GDPR só quem está no escopo da lei.
Se você usa uma CMP comercial, o trabalho técnico é dela. Confirme com o fornecedor que a versão instalada já segue as especificações 2.4 e mantenha o plugin ou o script atualizado.
Não. As TC strings criadas antes de 1º de março de 2026 continuam válidas e vão sendo trocadas quando o visitante renova ou muda a escolha. Só as strings novas sem o segmento são inválidas.
No Ad Manager e no AdSense existe um relatório de erros do TCF com os códigos e a quantidade de pedidos afetados. A Central de Ajuda do Google explica cada código.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site como visitante europeu e mostra o que corrigir, sem alterar nada.