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Guia · Padrão do setor

IAB TCF explicado para quem vive de anúncios

O TCF é a linguagem comum que banners de consentimento e empresas de anúncios usam na Europa. Neste guia você entende a TC string, as versões em vigor, as obrigações do site e o que acontece com a receita quando o sinal falta ou chega quebrado.

  • ✓Baseado nas regras da IAB Europe e do Google
  • ✓Explica os códigos de erro do Ad Manager
  • ✓Leitura sem alterar o site
11finalidades de uso de dados que o visitante pode aceitar ou recusar
3regiões onde o Google exige CMP certificada com TCF: EEE, Reino Unido e Suíça
755número do Google na lista global de fornecedores do TCF
2.4versão das especificações técnicas publicada em julho de 2026

O que é

Uma linguagem comum entre o banner e os parceiros de anúncios

O Transparency and Consent Framework, ou TCF, é um padrão criado pela IAB Europe, a associação europeia de publicidade digital. Ele define como o banner de consentimento pergunta ao visitante, como guarda a resposta e como avisa cada empresa de anúncios sobre essa escolha.

O banner que segue o padrão se chama CMP, sigla de plataforma de gestão de consentimento. Quando o visitante clica em aceitar, recusar ou salvar preferências, a CMP grava a escolha num código curto chamado TC string. Esse código viaja junto com cada pedido de anúncio.

Assim, o Google, a Amazon, a Microsoft e centenas de outras empresas leem a mesma resposta, no mesmo formato. Sem o TCF, cada parceiro precisaria de uma integração própria com o banner do seu site, e ninguém teria certeza de que a escolha chegou inteira.

O TCF é voluntário e não é uma lei. Ele é uma ferramenta para ajudar quem participa a cumprir o GDPR e as regras europeias de cookies. Mesmo assim, na prática, ele virou o caminho que quase todo o mercado de anúncios usa na Europa.

Checklist

O que você precisa cumprir

Estes são os pontos que as políticas da IAB Europe e o Google pedem de um editor que usa o TCF.

  1. Use uma CMP registrada e certificada

    As políticas do TCF só permitem trabalhar com CMPs registradas e em dia com as regras. Para anúncios personalizados do Google no EEE, Reino Unido e Suíça, a CMP também precisa estar na lista de certificadas do Google.

    Exemplo

    Antes de contratar, procure a CMP nas duas listas: a da IAB Europe e a do Google.

  2. Publique a política de privacidade com link visível

    O editor precisa manter as informações legais numa política de privacidade pública, com link em destaque a partir do conteúdo.

    Exemplo

    Link Política de privacidade no rodapé de todas as páginas.

  3. Declare que segue o TCF

    As políticas pedem uma declaração pública de que o site cumpre as regras do TCF, com o número de identificação da CMP usada.

    Exemplo

    Este site participa do Transparency and Consent Framework da IAB Europe e segue suas políticas e especificações. A CMP usada tem o ID informado pelo fornecedor da sua CMP.

  4. Escolha e controle os fornecedores

    O editor decide com quais fornecedores trabalha. Inclua no banner o Google e todos os parceiros de anúncios que realmente rodam no site.

    Exemplo

    Revise a lista de fornecedores da CMP a cada novo parceiro de header bidding.

  5. Repasse a escolha aos parceiros

    A escolha do visitante precisa chegar aos parceiros presentes no site. Sem consentimento na finalidade 1, o Google orienta a não chamar a tag de anúncios dele.

  6. Deixe o visitante reabrir as escolhas

    O visitante deve conseguir reabrir a tela da CMP por um link ou botão fácil de achar. As políticas também pedem lembrar o direito de se opor ou de retirar o consentimento.

    Exemplo

    Um link fixo no rodapé, Preferências de privacidade, reabre a CMP.

  7. Mostre o banner de novo ao adicionar fornecedor

    Quando o editor inclui um fornecedor novo, a CMP precisa mostrar a tela de escolhas de novo para colher a resposta.

  8. Não altere o padrão

    O editor precisa seguir as especificações sem modificações não previstas. Os nomes das finalidades e dos recursos não podem ser trocados.

Na prática

Certo e errado

Ferramentas oficiais

CMPs certificadas e links oficiais

Para anúncios do Google, a CMP precisa estar nas duas listas: a da IAB Europe e a de certificadas do Google.

A quem se aplica

Quem participa do TCF e onde ele termina

O padrão envolve quatro tipos de participante. Cada um tem regras próprias nas políticas da IAB Europe.

Editores

Donos de sites e apps que exibem anúncios. Escolhem a CMP, decidem quais parceiros aparecem no banner e repassam o sinal aos parceiros.

CMPs

As empresas que fazem o banner. Precisam se candidatar à IAB Europe, ser aprovadas e seguir as especificações técnicas à risca.

Fornecedores

Empresas de anúncios e medição registradas na lista global. Leem a TC string e só usam os dados conforme a escolha registrada.

Onde não vale

O TCF europeu foi feito para as regras do EEE e do Reino Unido. Para visitantes dos Estados Unidos ou do Brasil, outros sinais e leis entram em jogo.

Definições

As palavras que aparecem no painel da CMP

Estes termos aparecem nas configurações da CMP, nos relatórios do Ad Manager e na documentação dos parceiros.

TC string

Código que guarda a escolha do visitante: quais finalidades aceitou, a quais empresas deu permissão e qual CMP gerou o registro.

Finalidades

São 11 usos de dados, como guardar informações no aparelho, criar perfis para anúncios personalizados e medir o desempenho dos anúncios.

Finalidades especiais

Usos que não dependem de escolha, como segurança e prevenção de fraude, entregar o anúncio e guardar a própria escolha de privacidade.

Recursos especiais

Técnicas mais sensíveis, como dados de localização precisa e identificação do aparelho, que precisam de permissão separada.

Lista de fornecedores (GVL)

A Global Vendor List reúne as empresas registradas, cada uma com um número. O Google é o fornecedor 755.

Fornecedores divulgados

Parte da TC string, chamada disclosedVendors, que diz quais empresas foram de fato mostradas no banner. Obrigatória desde a v2.3.

Consentimento e direitos

Como o visitante escolhe e o que ele pode fazer depois

Para cada finalidade, o fornecedor declara a base legal que usa: consentimento ou interesse legítimo. No consentimento, nada acontece até o visitante dizer sim. No interesse legítimo, o uso pode começar, mas o visitante tem o direito de se opor.

A CMP precisa mostrar as duas coisas de forma clara. O visitante pode aceitar tudo, recusar tudo ou escolher finalidade por finalidade e empresa por empresa. Também precisa ver a lista de parceiros e o que cada um faz.

A escolha não é definitiva. O visitante pode voltar ao banner a qualquer momento, retirar o consentimento ou mudar de ideia. Por isso, sites bem configurados deixam um link fixo, como Preferências de privacidade, no rodapé.

Para o editor, a regra prática é simples: o banner precisa contar a verdade sobre quem recebe os dados e precisa deixar recusar tão fácil quanto aceitar.

Obrigações do site

O que o editor precisa fazer para usar o TCF

  1. Use uma CMP registrada e certificadaEla precisa estar aprovada pela IAB Europe. Para anúncios do Google no EEE, Reino Unido e Suíça, também precisa estar na lista de CMPs certificadas do Google.
  2. Escolha os parceiros com cuidadoInclua no banner o Google e todos os parceiros de anúncios que realmente rodam no site. Parceiro que não aparece no banner não pode usar os dados.
  3. Publique a política de privacidadeAs políticas do TCF pedem uma política pública, com link a partir do conteúdo, e uma declaração pública de que o site segue o TCF.
  4. Repasse o sinal a todos os parceirosO código de anúncios precisa ler a TC string e enviá-la em cada pedido. Header bidding, Ad Manager e redes extras devem receber o mesmo sinal.
  5. Espere a CMP antes dos anúnciosPedidos feitos antes da resposta da CMP saem sem consentimento. Use o evento da CMP para liberar os anúncios só quando a TC string estiver pronta.
Exemplo com a API padrão das CMPs do TCF
// Espera a CMP antes de liberar os anúncios
__tcfapi('addEventListener', 2, function (tcData, ok) {
  if (!ok) return;
  if (tcData.eventStatus === 'tcloaded' ||
      tcData.eventStatus === 'useractioncomplete') {
    // tcData.tcString está pronta
    // agora carregue ou libere os pedidos de anúncio
  }
});

AdSense e Ad Manager

O que muda para quem monetiza com o Google

Desde 16 de janeiro de 2024, o Google exige uma CMP certificada e integrada ao TCF para exibir anúncios personalizados no EEE e no Reino Unido. Desde 31 de julho de 2024, a regra vale também para a Suíça.

Sem CMP certificada, o tráfego dessas regiões pode receber apenas anúncios não personalizados ou anúncios limitados. Os dois pagam bem menos e nem todos os compradores participam. A Mensagem de privacidade do próprio AdSense e do Ad Manager é uma das opções certificadas.

O Ad Manager lê o TCF diretamente na página. TC strings europeias enviadas dentro do GPP não são aceitas para visitantes do EEE, Reino Unido e Suíça. Ou seja, mesmo usando GPP para os Estados Unidos, a Europa continua precisando do TCF próprio.

Se o site também usa Google Analytics ou Google Ads, a CMP certificada costuma enviar o Consent Mode junto. São dois sinais diferentes: o TCF fala com o ecossistema de anúncios e o Consent Mode fala com as tags do Google.

Linha do tempo

As datas que mudaram o TCF e as regras do Google

O padrão evolui em versões e passou por decisões importantes na Justiça europeia.

  1. 2020

    Google integra o TCF

    Os sistemas de anúncios do Google passam a ler o consentimento enviado no formato do TCF.

  2. 2 de fevereiro de 2022

    Decisão da autoridade belga

    A autoridade de proteção de dados da Bélgica multa a IAB Europe em 250 mil euros por causa do TCF.

  3. 16 de janeiro de 2024

    CMP certificada no EEE e Reino Unido

    Para anúncios personalizados do Google nessas regiões, o site passa a precisar de CMP certificada e integrada ao TCF.

  4. 7 de março de 2024

    Tribunal de Justiça da UE decide

    No caso C-604/22, o tribunal diz que a TC string pode ser dado pessoal e que a IAB Europe pode ser controladora conjunta.

  5. 31 de julho de 2024

    Suíça entra na regra do Google

    A exigência de CMP certificada passa a valer para visitantes da Suíça.

  6. 14 de maio de 2025

    Tribunal belga confirma a multa

    O Tribunal de Mercado da Bélgica mantém a multa de 250 mil euros e confirma que a TC string é dado pessoal.

  7. 28 de fevereiro de 2026

    Fim da transição para a v2.3

    A partir de 1º de março de 2026, toda TC string nova precisa trazer o segmento de fornecedores divulgados.

  8. 23 de outubro de 2026

    Prazo da v2.4 para sites

    As CMPs de sites passam a mostrar os novos textos e ilustrações das especificações 2.4, publicadas em 23 de julho de 2026.

  9. 23 de fevereiro de 2027

    Prazo da v2.4 para apps e TV

    A mesma atualização passa a ser exigida das CMPs em aplicativos e TV conectada.

Fiscalização

Quem fiscaliza e o que já aconteceu

O TCF tem dois tipos de controle. O primeiro é o da própria IAB Europe, que aprova as CMPs, mantém a lista de fornecedores e pode suspender quem não segue as regras. O segundo é o das autoridades de proteção de dados, que aplicam o GDPR e as leis de cookies.

O caso mais conhecido começou na Bélgica. Em 2022, a autoridade local multou a IAB Europe em 250 mil euros. Em 2024, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que a TC string pode ser dado pessoal. Em 2025, o tribunal belga manteve a multa.

Para o editor, a lição é que usar o TCF não transfere a responsabilidade. Se o banner engana o visitante ou se os anúncios carregam antes da escolha, o site continua respondendo pelo erro.

Há ainda o controle comercial. O Google mostra no Ad Manager e no AdSense um relatório de erros do TCF e reduz os anúncios quando o sinal falha. Muitas vezes, é ali que o problema aparece primeiro, como queda de receita.

Erros comuns

Quando a TC string falta ou chega errada

O Ad Manager e o AdSense mostram códigos de erro do TCF nos relatórios. Estes são os que mais derrubam a receita.

CMP ainda carregando

O anúncio é pedido antes da CMP responder. Sem TC string, o Google entrega só anúncios limitados, e parte dos pedidos pode ficar sem anúncio.

Google sem permissão

O fornecedor 755 não foi incluído na CMP ou o visitante não o aceitou. O resultado também é anúncio limitado.

Segmento da v2.3 ausente

A string não traz a lista de fornecedores divulgados, ou o Google não está nela. Nesse caso, o Google não consegue processar o pedido.

CMP sem certificação

A CMP segue o TCF, mas não está na lista do Google. O tráfego do EEE, Reino Unido e Suíça fica restrito a anúncios não personalizados ou limitados.

Visitante europeu sem sinal

O pedido vem da Europa, mas sem nenhum dado do TCF. O Google trata como fora das regras e entrega anúncios limitados.

String corrompida ou antiga

Código mal formado, versão 1 do TCF ou lista de fornecedores desatualizada. A correção costuma ser pedir o consentimento de novo.

Na prática

O que pode e o que não pode com o TCF

Exemplos do dia a dia de quem tem visitantes da Europa e de fora dela.

Pode

  • Mostrar a mensagem do TCF apenas para visitantes do EEE, Reino Unido e Suíça
  • Usar a Mensagem de privacidade do AdSense ou do Ad Manager, que já é certificada
  • Incluir o Google e os demais parceiros de anúncios na lista da CMP
  • Esperar a CMP ficar pronta antes de pedir os anúncios
  • Deixar um link fixo no rodapé para o visitante mudar a escolha
  • Deixar recusar tão fácil quanto aceitar

Não pode

  • Marcar todo visitante do mundo como sujeito ao GDPR
  • Trocar a CMP certificada por um plugin de cookies comum
  • Carregar o código de anúncios antes da CMP responder
  • Usar uma CMP desatualizada que não gera o segmento da v2.3
  • Listar no banner parceiros que não rodam no site, ou esconder os que rodam
  • Esconder o botão de recusar em outra tela

No ConsentMode

O que a auditoria confere sobre o TCF

  • Abre o site como visitante da Europa e de fora dela e vê onde a mensagem aparece.
  • Identifica a CMP pelo código da página e diz se ela consta na lista de certificadas do Google.
  • Confere se a TC string existe antes dos pedidos de anúncio e se traz o segmento de fornecedores divulgados.
  • Verifica se o Google aparece entre os fornecedores e o que muda antes e depois do clique no banner.
  • Entrega prints e o caminho para corrigir na CMP, no WordPress ou no código de anúncios.

Perguntas frequentes

TCF e Consent Mode do Google são a mesma coisa?

Não. O TCF é o padrão da IAB Europe que todos os parceiros de anúncios leem. O Consent Mode é o jeito do Google receber a escolha nas próprias tags, como Analytics e Google Ads. Uma CMP certificada costuma cuidar dos dois.

Meu site é brasileiro. Preciso do TCF?

Só para os visitantes do EEE, Reino Unido e Suíça, se você quer anúncios personalizados do Google para eles. Para o público do Brasil, o Google não exige o TCF. Configure a CMP por região.

Posso mostrar o banner do TCF para todo mundo?

Pode, mas costuma sair caro. Visitantes de fora da Europa passam a ver uma mensagem de que não precisam, muitos recusam e a receita cai. O Google orienta marcar como sujeito ao GDPR só quem está no escopo da lei.

Preciso fazer algo por causa da v2.4?

Se você usa uma CMP comercial, o trabalho técnico é dela. Confirme com o fornecedor que a versão instalada já segue as especificações 2.4 e mantenha o plugin ou o script atualizado.

As escolhas antigas dos visitantes deixaram de valer com a v2.3?

Não. As TC strings criadas antes de 1º de março de 2026 continuam válidas e vão sendo trocadas quando o visitante renova ou muda a escolha. Só as strings novas sem o segmento são inválidas.

Onde vejo os erros do TCF na minha conta?

No Ad Manager e no AdSense existe um relatório de erros do TCF com os códigos e a quantidade de pedidos afetados. A Central de Ajuda do Google explica cada código.

Biblioteca

Fontes oficiais

Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:

Descubra se a sua TC string está chegando certa

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