Dado pessoal
Qualquer informação ligada a uma pessoa identificada ou identificável. Identificadores online, como cookies, IDs de publicidade e endereço IP, normalmente contam como dado pessoal.
Guia · Regulamento britânico
Depois do Brexit, o Reino Unido ficou com regras próprias de privacidade e de cookies. Em 2026 elas mudaram de novo: surgiram exceções ao consentimento, as multas de cookies subiram e o regulador ganhou outro nome. Este guia explica o que vale hoje para um site com AdSense ou Ad Manager que recebe visitantes britânicos.
O que é
Quando o Reino Unido saiu da União Europeia, copiou o GDPR europeu para a própria legislação. Essa cópia, em vigor desde 1º de janeiro de 2021, se chama UK GDPR. Ela trabalha junto com a Data Protection Act 2018, a lei britânica que completa e adapta o texto, e com o PECR, o regulamento de 2003 que trata de cookies, marketing por e-mail e comunicações eletrônicas.
Na prática, o UK GDPR define o que é dado pessoal, quando ele pode ser usado e quais direitos as pessoas têm. O PECR responde a uma pergunta mais específica: quando um site pode gravar ou ler informações no aparelho do visitante. Cookies, pixels, armazenamento local do navegador, impressão digital do aparelho e scripts de rastreamento entram todos nessa regra.
A lei vale para empresas estabelecidas no Reino Unido e também para empresas de fora que oferecem produtos ou serviços a pessoas no país ou que monitoram o comportamento delas. Um site brasileiro que usa cookies de anúncios para criar perfis de visitantes britânicos está monitorando comportamento, mesmo sem escritório em Londres.
Em 2025, a Data (Use and Access) Act 2025 alterou as três normas. A maior parte das mudanças passou a valer em 5 de fevereiro de 2026. E, em 30 de setembro de 2026, o regulador ICO deu lugar à Information Commission, que assumiu as mesmas funções e poderes.
Checklist
Estes são os pontos que o regulador britânico e o Google cobram de um site com anúncios que recebe visitantes do Reino Unido.
Desde 16 de janeiro de 2024, o Google exige uma CMP certificada e integrada ao IAB TCF para mostrar anúncios personalizados no Reino Unido. Sem ela, esse tráfego só pode receber anúncios não personalizados ou limitados.
Em Privacidade e mensagens, crie a mensagem de regulamentações europeias, que vale para o EEE, o Reino Unido e a Suíça.
A orientação oficial diz que a publicidade online nunca ficou fora da exigência de consentimento. Cookies e pixels de anúncio só podem ser gravados depois de um consentimento válido.
O pixel de remarketing só carrega depois do clique em Consentimento.
O regulador espera que recusar dê o mesmo trabalho que aceitar. Silêncio ou falta de resposta não contam como consentimento.
Consentimento e Não consentir aparecem juntos na primeira tela, com o mesmo tamanho.
As opções para tecnologias que dependem de consentimento devem vir desligadas por padrão. Só a escolha ativa do visitante pode ligá-las.
Na tela de preferências, os botões de publicidade e de medição de anúncios começam na posição desligado.
Para o consentimento valer, o site precisa informar a identidade dos terceiros que recebem os dados.
O banner tem um link para a lista de parceiros, com o Google e cada rede de anúncios do site.
A lei exige que o visitante possa retirar o consentimento quando quiser. A política do Google também pede instruções claras para isso.
Um link fixo no rodapé, Preferências de privacidade, abre o banner de novo.
Cookies de estatística e de aparência podem dispensar consentimento, mas o site precisa explicar a finalidade e oferecer um jeito simples e gratuito de recusar. Essas exceções não cobrem publicidade.
Na página de cookies: usamos cookies de estatística para melhorar o site, e você pode desligá-los neste botão.
Organizações que usam dados pessoais precisam pagar a taxa de proteção de dados, a menos que estejam isentas. Confira no site do regulador se é o seu caso.
Na prática
Ferramentas oficiais
Para anúncios personalizados no Reino Unido, o Google exige uma CMP certificada, e estas são as páginas oficiais para escolher e configurar.
Definições
São os mesmos conceitos do GDPR europeu, com alguns nomes novos trazidos pela reforma de 2025.
Qualquer informação ligada a uma pessoa identificada ou identificável. Identificadores online, como cookies, IDs de publicidade e endereço IP, normalmente contam como dado pessoal.
O controlador decide por que e como os dados são usados, como o dono do site. O operador trata os dados em nome dele, como uma empresa de hospedagem ou de e-mail.
É o nome que o regulador passou a usar para cookies e tudo o que faz o mesmo papel: pixels, web storage, fingerprinting e scripts que leem dados do aparelho.
Uma escolha livre, específica, informada e feita com uma ação clara, como clicar em aceitar. Silêncio, caixas pré-marcadas ou continuar navegando não valem como consentimento.
Bases legais e consentimento
O UK GDPR exige uma base legal para cada uso de dado pessoal. As mais comuns são consentimento, execução de contrato, obrigação legal e interesse legítimo. A reforma de 2025 criou uma lista de interesses legítimos reconhecidos, como prevenção de crimes e situações de emergência, que dispensam o teste de equilíbrio. Publicidade não está nessa lista.
Para cookies, quem manda é o PECR. A regra geral continua a mesma: gravar ou ler algo no aparelho do visitante exige consentimento, a não ser que o uso caiba numa exceção. O padrão de consentimento é o do UK GDPR, e o regulador espera que recusar seja tão fácil quanto aceitar.
Desde 5 de fevereiro de 2026 existem cinco exceções: transmissão da comunicação, serviço estritamente necessário, estatística para melhorar o próprio serviço, aparência ou funcionalidade escolhida pelo usuário e assistência de emergência. Nas exceções de estatística e de aparência, o site precisa avisar com clareza e oferecer um jeito simples e gratuito de recusar.
A orientação oficial é direta: nenhuma das exceções cobre publicidade online. Cookies e pixels de anúncios personalizados, medição de anúncios e remarketing continuam dependendo de consentimento. Em maio de 2026 o regulador sugeriu ao governo estudar uma exceção para publicidade de baixo risco, mas nada mudou na lei até agora.
Direitos das pessoas
Qualquer pessoa no Reino Unido pode exercer estes direitos. O site precisa ter um canal para receber os pedidos e responder no prazo.
Receber informação clara sobre o uso dos dados e uma cópia do que o site guarda sobre ela, em regra em até um mês.
Pedir correção de dados errados e exclusão quando não houver mais motivo para guardá-los, por exemplo depois de retirar o consentimento.
Recusar o uso dos dados para marketing direto a qualquer momento. Nesse caso a oposição é absoluta e o site precisa parar.
Mudar de ideia sobre cookies com a mesma facilidade com que aceitou. Um link fixo para reabrir as preferências resolve.
Ser informado, contestar e pedir revisão humana quando uma decisão importante for tomada só por sistema.
Desde 19 de junho de 2026, quem trata dados precisa ter um processo de reclamação e confirmar o recebimento em até 30 dias.
Obrigações
Fiscalização e multas
O regulador costuma começar com advertências e ordens de correção, mas as multas máximas são altas, e a reforma de 2025 reforçou também os poderes sobre cookies.
Até 17,5 milhões de libras ou 4% do faturamento mundial anual, o que for maior, para as infrações mais graves, como tratar dados sem base legal.
Até 8,7 milhões de libras ou 2% do faturamento mundial anual para falhas como registros incompletos ou segurança inadequada.
A reforma de 2025 ampliou os poderes de fiscalização e de multa do regulador sobre o PECR. As regras novas valem para condutas a partir de 5 de fevereiro de 2026.
Em janeiro de 2025 o regulador anunciou a revisão dos banners dos mil sites mais visitados do país. Em abril de 2026, informou que 99% deles já cumpriam os padrões.
Linha do tempo
As datas que mais pesam para quem tem visitantes do Reino Unido.
O regulamento britânico de comunicações eletrônicas passa a tratar de cookies e marketing eletrônico.
O GDPR europeu passa a valer no Reino Unido, junto com a nova lei britânica de proteção de dados.
Com o fim da transição do Brexit, o país passa a ter a sua própria versão do GDPR.
Para anúncios personalizados no Reino Unido, AdSense e Ad Manager passam a exigir uma CMP certificada e integrada ao IAB TCF.
A lei que reforma o UK GDPR, a Data Protection Act e o PECR recebe a sanção real.
Entram em vigor as novas exceções para cookies, os interesses legítimos reconhecidos e os novos poderes de fiscalização do regulador sobre o PECR.
O regulador publica a versão final da orientação sobre tecnologias de armazenamento e acesso.
O ICO é substituído pela Information Commission, um órgão colegiado com as mesmas funções e poderes.
Para quem tem AdSense ou Ad Manager
O Google trata o Reino Unido do mesmo jeito que o Espaço Econômico Europeu. Para mostrar anúncios personalizados a visitantes britânicos, o site precisa de uma CMP certificada pelo Google e integrada ao IAB TCF. Sem ela, esse tráfego só recebe anúncios não personalizados ou limitados, que costumam render bem menos.
A CMP grava a escolha do visitante numa TC string e repassa os sinais do Consent Mode para as tags do Google. Se o site também usa Google Analytics ou Google Ads, os quatro sinais do Consent Mode precisam refletir o que a pessoa escolheu no banner.
Pense num portal brasileiro de receitas que recebe uma fatia pequena de visitantes do Reino Unido, muitos deles brasileiros que moram lá. Para o público do Brasil vale a LGPD; para o britânico, vale o UK GDPR com o PECR. A configuração certa mostra a mensagem do TCF só para quem está no Reino Unido, no EEE e na Suíça, sem atrapalhar o público brasileiro.
A Mensagem de privacidade do próprio AdSense e do Ad Manager é certificada e já cobre o Reino Unido. Quem usa outra CMP precisa confirmar que ela está na lista do Google e que o Reino Unido está entre as regiões configuradas.
Na prática
Exemplos comuns em sites de notícias, receitas, finanças e vagas que recebem visitantes britânicos.
Erros comuns
São falhas que aparecem com frequência em auditorias de sites com tráfego do Reino Unido.
Muitos configuram a CMP só para a União Europeia. O visitante britânico fica sem mensagem e o Google passa a entregar anúncios limitados.
As novas exceções servem para estatística, preferências e emergência. Anúncios continuam precisando de consentimento.
O banner aparece, mas os cookies de anúncios já foram gravados antes da resposta. Para o regulador, isso equivale a não pedir consentimento.
Aceitar com um clique e recusar com cinco é o tipo de desenho que o regulador vem cobrando dos grandes sites.
Texto copiado de outro site, sem citar o Google, os parceiros de anúncios, as transferências internacionais nem o canal para pedidos.
Usar cookies de estatística ou de aparência sem consentimento e não oferecer um jeito simples de desligar quebra a condição da própria exceção.
No ConsentMode
Vale para os visitantes que estão no Reino Unido quando o site monitora o comportamento deles, como acontece com cookies de anúncios personalizados. E, mesmo sem olhar para a lei, o Google exige CMP certificada para mostrar anúncios personalizados a esse público.
Depende do uso. A exceção de estatística vale quando os dados servem só para medir e melhorar o próprio site, com aviso claro e opção simples de recusar. Se a ferramenta usa os dados para anúncios ou para fins do próprio fornecedor, a exceção não se aplica.
Desde 30 de setembro de 2026, as funções do ICO passaram para a Information Commission. O papel e os poderes do regulador não mudaram e o trabalho do dia a dia continua; muda o modelo de comando, que agora é colegiado.
Em alguns pontos, sim, como as novas exceções para estatística e preferências. Para anúncios personalizados, o resultado prático é igual: consentimento antes de gravar ou ler qualquer coisa no aparelho.
Pode, mas é raro valer a pena. A maioria das CMPs certificadas cobre EEE, Reino Unido e Suíça com a mesma configuração, por região.
O Google ainda pode exibir anúncios não personalizados ou limitados para essa pessoa. A receita por visita costuma ser menor, mas o site continua monetizando sem violar a regra.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site a partir do Reino Unido, registra o banner e os cookies e mostra o que corrigir, sem alterar nada.