Empresas na União Europeia
Toda empresa estabelecida na UE segue o GDPR, não importa onde os dados são processados ou onde ficam os servidores.
Guia · Regulamento europeu
Se o seu site recebe visitas da Europa e mostra anúncios, o GDPR e as regras de cookies valem para essas visitas, mesmo que a empresa seja brasileira. Este guia mostra a quem a lei se aplica, o que é um consentimento válido, quanto custa errar e o que o Google exige de quem usa AdSense e Ad Manager.
O que é
O GDPR, chamado em português de RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), é o Regulamento (UE) 2016/679. Ele foi adotado em abril de 2016 e passou a ser aplicado em 25 de maio de 2018 em todos os países da União Europeia, e também vale no restante do Espaço Econômico Europeu (Islândia, Liechtenstein e Noruega).
A lei protege dados pessoais, ou seja, qualquer informação ligada a uma pessoa que pode ser identificada. Para um site, isso inclui coisas que parecem técnicas: endereço IP, identificadores de cookies, IDs de dispositivo e o histórico de navegação usado para escolher anúncios.
Quem decide por que e como os dados são usados é o controlador. Quase sempre é o dono do site. Quem processa os dados em nome dele, como uma ferramenta de e-mail ou de hospedagem, é o operador (no texto europeu, subcontratante). As redes de anúncios costumam agir como controladoras independentes para parte do uso.
O GDPR anda junto com a Diretiva ePrivacy (2002/58/CE), que trata especificamente de cookies. Na prática, a regra é esta: gravar ou ler cookies que não são estritamente necessários, como os de anúncios e de análise, exige consentimento prévio. E esse consentimento precisa seguir o padrão do GDPR.
Checklist
Estes são os pontos que a lei, as autoridades europeias e o Google cobram de um site com anúncios que recebe visitantes do EEE.
Desde 16 de janeiro de 2024, o AdSense e o Ad Manager exigem uma CMP certificada pelo Google e integrada ao IAB TCF para mostrar anúncios personalizados no EEE. Sem ela, esse tráfego só pode receber anúncios não personalizados ou limitados.
No AdSense, clique em Privacidade e mensagens na barra lateral e crie a mensagem de regulamentações europeias, ou escolha outra CMP da lista do Google.
Cookies que não são essenciais só podem ser gravados depois de uma ação clara do visitante. Segundo o EDPB, caixas já marcadas, rolar a página ou continuar navegando não valem como consentimento.
Deixe todas as finalidades desmarcadas até a pessoa clicar em uma opção.
A maioria das autoridades europeias considera infração um banner sem opção de recusa na mesma camada do botão de aceitar. Retirar o consentimento depois também precisa ser tão fácil quanto dar.
Use a mensagem de 3 botões do Google, que mostra Consentimento, Não consentir e Gerenciar opções na primeira tela, e um link fixo no rodapé para reabrir as escolhas.
Se o site usa Google Analytics ou Google Ads, o Google exige coletar o consentimento dos visitantes do EEE e enviar os sinais ad_user_data e ad_personalization. O comando padrão precisa rodar antes de qualquer tag que envie dados.
gtag('consent', 'default', {
'ad_storage': 'denied',
'ad_user_data': 'denied',
'ad_personalization': 'denied',
'analytics_storage': 'denied'
});A política de consentimento do Google pede que o site identifique cada empresa que pode coletar ou usar dados por causa dos produtos do Google. Também pede informação fácil de achar sobre como cada uma usa esses dados.
Na política de privacidade, tenha uma seção Parceiros de publicidade com o Google e cada rede de anúncios que roda no site.
Pelo GDPR, cabe ao site provar que o consentimento foi dado. A política do Google também exige guardar registro dos consentimentos coletados.
Confira no painel da CMP se o registro de consentimentos está ativo e por quanto tempo ele fica guardado.
As diretrizes do EDPB dizem que o acesso ao serviço não deve depender de aceitar cookies. Um site que esconde tudo até o clique em aceitar não obtém consentimento livre.
Quem recusa continua lendo o artigo e pode ver anúncios não personalizados ou limitados.
Quando um visitante pede acesso, correção ou exclusão dos dados, a resposta deve sair em princípio em até um mês, sem custo. Na dúvida sobre casos específicos, confira com seu jurídico.
Coloque na política de privacidade um e-mail só para pedidos de privacidade.
Na prática
Ferramentas oficiais
Para anúncios personalizados do Google no EEE, a CMP precisa estar na lista do Google, e estas são as páginas oficiais para escolher e configurar.
A quem se aplica
A lei não olha só para onde a empresa está. Ela olha para onde estão as pessoas cujos dados são usados.
Toda empresa estabelecida na UE segue o GDPR, não importa onde os dados são processados ou onde ficam os servidores.
O artigo 3 alcança quem está fora da UE e oferece produtos ou serviços a pessoas na UE ou monitora o comportamento delas lá. Anúncios personalizados e cookies de rastreamento são um exemplo claro de monitoramento.
Um blog em português com visitas de Portugal, ou um site em inglês com tráfego da Alemanha, precisa tratar essas visitas pelas regras europeias, mesmo com CNPJ e servidor no Brasil.
Têm leis próprias, parecidas com o GDPR (UK GDPR e a lei suíça de proteção de dados). Para o Google, os três territórios seguem a mesma política de consentimento.
Bases legais
Todo uso de dados pessoais precisa de uma base legal escolhida antes de começar. Para cookies de anúncios, na prática, a base é o consentimento.
A pessoa concorda de forma livre e clara. É a base exigida para cookies não essenciais e para anúncios personalizados.
O dado é necessário para cumprir um contrato com a pessoa, como entregar um pedido ou manter uma assinatura.
Uma lei obriga a guardar ou usar o dado, como notas fiscais e registros contábeis.
Proteger a vida da pessoa ou de outra pessoa. Raramente se aplica a sites de conteúdo.
Tarefas de interesse público ou de autoridade oficial. Usada por órgãos públicos, quase nunca por editores.
Um interesse real da empresa que não passe por cima dos direitos da pessoa, como segurança do site. Não substitui o consentimento exigido para cookies de anúncios.
Consentimento válido
O GDPR define consentimento como uma manifestação livre, específica, informada e inequívoca da vontade da pessoa, dada por uma declaração ou por uma ação afirmativa clara. Cada uma dessas palavras tem efeito prático no banner de cookies.
Livre quer dizer que existe escolha de verdade. O botão de recusar precisa estar tão à vista quanto o de aceitar, e recusar não pode trazer prejuízo. As orientações do Comitê Europeu de Proteção de Dados (EDPB) dizem que bloquear o conteúdo até a pessoa aceitar os cookies, o chamado cookie wall, não gera consentimento livre.
Específico e informado quer dizer que a pessoa sabe para que serve cada uso e quem são os parceiros que recebem os dados. Inequívoco quer dizer que houve uma ação clara: caixas já marcadas, silêncio, continuar navegando ou rolar a página não contam como consentimento.
Por fim, o artigo 7 exige que retirar o consentimento seja tão fácil quanto dar. Na prática, o site precisa de um link ou botão permanente, como Preferências de cookies no rodapé, que reabre as opções a qualquer momento. E o controlador precisa conseguir provar que a pessoa consentiu, por isso a CMP guarda um registro de cada escolha.
Obrigações do site
Fiscalização e multas
Cada país tem a sua autoridade de proteção de dados, como a CNIL na França e a CNPD em Portugal. Elas recebem reclamações, investigam e aplicam sanções.
Para as infrações mais graves, como usar dados sem base legal ou desrespeitar o consentimento, o teto é de 20 milhões de euros ou 4% do faturamento mundial anual, o que for maior.
Para falhas de organização, como não manter registros ou não fazer a avaliação de impacto quando exigida, o teto é de 10 milhões de euros ou 2% do faturamento mundial.
A autoridade pode dar advertência, mandar corrigir o banner, limitar ou proibir um tratamento de dados. Para uma infração apenas provável, pode emitir só um aviso.
A multa leva em conta a gravidade, a duração, se houve intenção ou negligência, o que foi feito para reduzir o dano e o nível de cooperação com a autoridade.
Linha do tempo
Da regra de cookies à exigência de CMP certificada pelo Google.
Cria as regras europeias para cookies e comunicações eletrônicas, mais tarde reforçadas para exigir consentimento antes de gravar cookies não essenciais.
O Regulamento (UE) 2016/679 é aprovado, com um prazo de dois anos para empresas se adaptarem.
As regras de consentimento, direitos e multas passam a ser aplicadas. No mesmo mês, o Google lança atualizações para editores e anunciantes.
O comitê europeu detalha o consentimento válido: cookie walls, rolagem da página e caixas pré-marcadas não servem.
Para anúncios personalizados no EEE e no Reino Unido, AdSense, Ad Manager e AdMob passam a exigir uma CMP certificada pelo Google e integrada ao TCF.
A exigência de CMP certificada com TCF passa a valer também para visitantes da Suíça.
AdSense e Ad Manager
A Política de consentimento de usuários da UE do Google vale para o EEE, o Reino Unido e a Suíça. Ela pede consentimento legalmente válido para cookies onde a lei exige, consentimento para usar dados em anúncios personalizados, a identificação de todos os parceiros que recebem dados, registro das escolhas e instruções claras para retirar o consentimento.
Desde 16 de janeiro de 2024, para receber anúncios personalizados nessas regiões, o site precisa de uma CMP certificada pelo Google e integrada ao TCF da IAB Europe. A Mensagem de privacidade do próprio AdSense e do Ad Manager é uma das opções certificadas.
Sem CMP certificada, o tráfego europeu pode ficar só com anúncios não personalizados ou anúncios limitados, que pagam menos. No painel do AdSense, isso aparece como personalização de anúncios restrita no EEE, Reino Unido e Suíça. Se o site também usa Google Analytics ou Google Ads, o Consent Mode leva a escolha do banner até essas tags.
O Google pode limitar ou suspender o uso dos produtos de quem não cumpre a política. Por isso, o banner certo é ao mesmo tempo uma questão legal e uma questão de receita.
Na prática
Exemplos reais de configurações que aparecem em sites com anúncios.
Erros comuns
Quase todas passam despercebidas, porque o site continua funcionando e os anúncios continuam aparecendo.
A empresa é brasileira, mas o visitante está em Portugal. Para esse visitante, valem as regras europeias e a política do Google.
Uma barra com o texto Este site usa cookies e um botão OK não pede consentimento. Os cookies já foram gravados antes do clique.
O código de anúncios ou o Analytics está no topo da página, acima da CMP. Os cookies são gravados nos primeiros segundos, sem consentimento.
Texto copiado de outro site, sem citar o Google, os parceiros de anúncios, as bases legais e como retirar o consentimento.
Depois do primeiro clique, o visitante não encontra mais o banner. Retirar o consentimento fica mais difícil do que dar.
Mostrar o TCF a visitantes do Brasil ou dos Estados Unidos não é exigido e derruba a receita desses visitantes sem necessidade.
No ConsentMode
Vale para as visitas que vêm da Europa quando você usa cookies de anúncios ou de rastreamento nesses visitantes. Para o público do Brasil, vale a LGPD. Por isso, a configuração certa usa regiões: regras europeias para europeus, regras locais para o resto.
Na Europa, cookies de análise não são considerados estritamente necessários, então em regra exigem consentimento prévio. O Consent Mode ajuda a respeitar essa escolha sem perder toda a medição.
Para gravar e ler cookies de anúncios, a regra europeia de cookies exige consentimento. Além disso, o Google pede consentimento para anúncios personalizados no EEE, Reino Unido e Suíça. Na prática, o caminho seguro é o consentimento.
As diretrizes do EDPB dizem que condicionar o acesso ao conteúdo à aceitação de cookies não gera consentimento livre. Alguns países discutem modelos alternativos, como pagar para navegar sem anúncios, mas isso exige análise jurídica caso a caso.
O GDPR não fixa um prazo único. Muitas autoridades recomendam pedir de novo depois de alguns meses, e o TCF da IAB Europe também tem regras próprias. Confira as orientações do país do seu público e as da sua CMP.
Não. O ConsentMode é uma auditoria somente leitura. Ele mostra o que o site faz para cada tipo de visitante, com prints e um plano de correção. A decisão jurídica e o banner continuam com o seu time e a sua CMP.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site como um visitante da Europa, confere banner, cookies e TCF, e mostra exatamente o que corrigir.