Faturamento acima de US$ 26.625.000
Receita bruta anual acima desse valor, que era de US$ 25 milhões e foi corrigido pela inflação em janeiro de 2025. O faturamento conta no total, não só o que vem da Califórnia.
Guia · Lei estadual dos EUA
A Califórnia tem a lei de privacidade mais detalhada dos Estados Unidos e a que mais aplica multas. Neste guia você entende quando ela vale para o seu site, por que anúncios personalizados contam como venda ou compartilhamento de dados e o que precisa aparecer na página para o visitante dizer não.
O que é
A California Consumer Privacy Act, ou CCPA, foi aprovada em 2018 e passou a valer em 1º de janeiro de 2020. Ela dá aos moradores da Califórnia o direito de saber quais dados uma empresa coleta, pedir a exclusão desses dados e impedir que eles sejam vendidos.
Em novembro de 2020, os eleitores aprovaram a California Privacy Rights Act, a CPRA, que reescreveu boa parte da CCPA. As mudanças valem desde 1º de janeiro de 2023. Por isso, quando se fala em CCPA hoje, quase sempre se fala da lei já alterada pela CPRA.
A CPRA criou a California Privacy Protection Agency, uma agência só para privacidade, que hoje se apresenta ao público como CalPrivacy. Ela escreve as regras detalhadas, investiga empresas e aplica multas. O procurador-geral da Califórnia continua com poder de processar quem descumpre a lei.
Para quem tem site com anúncios, o ponto central é simples: quando cookies e identificadores do visitante são usados para mostrar anúncios com base no que ele fez em outros sites, a lei trata isso como compartilhamento de dados. E o visitante tem o direito de recusar.
Checklist
Valem para empresas que passam de um dos limites da lei e vendem ou compartilham dados de moradores da Califórnia.
Quem vende ou compartilha dados precisa de um link claro no cabeçalho ou no rodapé da página inicial. As regras também aceitam um link único chamado Your Privacy Choices ou Your California Privacy Choices, com o ícone oficial ao lado.
Rodapé: Do Not Sell or Share My Personal Information
A procuradoria-geral diz que o GPC precisa ser respeitado como pedido válido de recusa. As regras em vigor desde 2026 pedem que o site mostre ao visitante o status da escolha dele.
Painel de privacidade: Recebemos o seu sinal GPC. Não vendemos nem compartilhamos os seus dados.
A recusa deve ser atendida assim que possível, em no máximo 15 dias úteis. Pedidos para saber, excluir ou corrigir têm 45 dias de prazo, com mais 45 se o visitante for avisado.
O aviso aparece antes ou no momento em que os dados são coletados e traz o link da política de privacidade. A política explica os direitos do visitante e como usá-los.
Usamos cookies de parceiros de anúncios. Pela lei da Califórnia, isso pode ser compartilhamento de dados. Para recusar, clique em Do Not Sell or Share My Personal Information.
Quem vende ou compartilha dados precisa de dois ou mais jeitos de recusar. Para pedidos de acesso ou exclusão, uma empresa só online pode oferecer apenas um e-mail.
Pedidos de privacidade: privacidade@seusite.com
As regras pedem simetria nas escolhas. Um aviso que só oferece Sim e Pergunte depois não é equilibrado, porque não há como recusar.
Dois botões do mesmo tamanho e da mesma cor: Aceitar e Recusar
Para vender ou compartilhar dados de quem você sabe ter menos de 16 anos, é preciso autorização prévia. Abaixo de 13 anos, a autorização vem dos pais ou responsáveis.
Na seção da Califórnia da string GPP, a recusa de venda ou de compartilhamento liga o RDP. Outra opção é ligar o RDP na tag para quem clicou no link.
// GPT: liga o processamento restrito de dados (RDP)
// para quem recusou a venda ou a publicidade direcionada
googletag.cmd.push(function () {
googletag.pubads().setPrivacySettings({
restrictDataProcessing: true
});
});Na prática
Ferramentas oficiais
O Google não exige CMP certificada para a Califórnia. Você pode usar a mensagem de estados dos EUA do Google, uma CMP que gere GPP ou o RDP na tag. Estes são os links oficiais.
A quem se aplica
A lei vale para empresas com fins lucrativos que fazem negócios na Califórnia, coletam dados de moradores do estado e atingem pelo menos um dos limites abaixo. Ter sede lá não é condição: empresas de fora que atendem californianos também podem entrar.
Receita bruta anual acima desse valor, que era de US$ 25 milhões e foi corrigido pela inflação em janeiro de 2025. O faturamento conta no total, não só o que vem da Califórnia.
Comprar, vender ou compartilhar dados de 100 mil ou mais consumidores ou domicílios da Califórnia por ano. Um portal com muito tráfego californiano e anúncios personalizados pode chegar lá sem perceber.
Obter 50% ou mais da receita anual com a venda ou o compartilhamento de dados pessoais de californianos, independentemente do tamanho da empresa.
Entidades sem fins lucrativos e órgãos públicos, em regra, não são cobertos. Empresas abaixo dos três limites também não, mas os parceiros de anúncios podem exigir os sinais de opt-out mesmo assim.
Definições
A CCPA usa termos próprios. Entender os quatro abaixo evita a maior parte das confusões.
Qualquer dado ligado ou que possa ser ligado a uma pessoa ou domicílio. A própria lei inclui identificadores online, endereço IP, histórico de navegação e interações com sites e anúncios.
Dados como documentos, login de contas, localização precisa, origem racial, religião, saúde, vida sexual e biometria. O visitante pode pedir que o uso desses dados seja limitado.
Passar dados a terceiros em troca de dinheiro ou de outro valor. Não precisa haver pagamento direto: deixar um parceiro coletar dados em troca de um serviço pode contar como venda.
Passar dados a terceiros para publicidade comportamental entre contextos, ou seja, anúncios escolhidos com base no que a pessoa fez em outros sites e apps. Vale mesmo sem pagamento.
Direitos
A empresa tem 45 dias para responder aos pedidos, com uma prorrogação de mais 45 quando necessário. Os pedidos de opt-out precisam ser atendidos bem mais rápido e sem burocracia.
Descobrir quais dados foram coletados, de onde vieram, para que servem e com quem foram vendidos ou compartilhados.
Pedir a exclusão dos dados coletados e a correção de dados errados, com algumas exceções previstas na lei.
Mandar a empresa parar de vender ou compartilhar seus dados, inclusive para anúncios personalizados, por link no site ou por sinal automático do navegador.
Restringir o uso de dados sensíveis ao necessário e não ser tratado pior, com preço maior ou serviço reduzido, por ter usado esses direitos.
Obrigações do site
Quem vende ou compartilha dados precisa oferecer um link claro com o texto Do Not Sell or Share My Personal Information, normalmente no rodapé de todas as páginas. As regras da agência permitem trocar esse link e o de dados sensíveis por um único link chamado Your Privacy Choices, acompanhado do ícone oficial. Clicar deve levar a um jeito simples de recusar, sem cadastro e sem exigir documentos.
O sinal automático de opt-out também é obrigatório. O exemplo mais conhecido é o Global Privacy Control, o GPC, uma configuração do navegador ou de uma extensão que avisa a todos os sites que a pessoa não quer ter os dados vendidos ou compartilhados. Desde 1º de janeiro de 2026, as regras exigem que o site mostre se processou esse sinal, por exemplo com uma mensagem de pedido de opt-out atendido.
Também é preciso um aviso no momento da coleta e uma política de privacidade completa. Ela lista as categorias de dados coletados, as finalidades, as categorias de empresas que recebem os dados, se há venda ou compartilhamento, quanto tempo os dados ficam guardados e como exercer cada direito. As regras da agência pedem também a data da última atualização.
As regras proíbem os chamados padrões enganosos: recusar não pode exigir mais passos do que aceitar, e fechar um pop-up não vale como consentimento. Para vender ou compartilhar dados de quem a empresa sabe ter menos de 16 anos, é preciso autorização prévia. Entre 13 e 16 anos, o próprio adolescente autoriza; abaixo de 13, os pais.
Linha do tempo
Datas confirmadas em fontes oficiais do estado da Califórnia.
Nasce o direito de saber, excluir e recusar a venda de dados.
Acordo de US$ 1,2 milhão por vender dados por meio de rastreadores de terceiros e ignorar o GPC.
Entram o compartilhamento para anúncios, a correção, o limite a dados sensíveis, e acaba o prazo obrigatório de 30 dias para corrigir antes da punição.
O limite de faturamento sobe para US$ 26.625.000 e as multas para US$ 2.663 e US$ 7.988.
Valem as avaliações de risco para atividades de risco significativo, a confirmação visível do sinal de opt-out e as novas regras contra padrões enganosos.
Começam as regras de decisão automatizada para decisões importantes. A lei AB 566, de 2025, passa a exigir que os navegadores ofereçam um sinal de opt-out embutido.
Prazo para enviar a declaração e o resumo das avaliações de risco. As certificações de auditoria de segurança começam nessa data para quem fatura mais de US$ 100 milhões e seguem em 2029 e 2030 para os demais.
Fiscalização e multas
A agência de privacidade e o procurador-geral podem agir. Desde 2023 não existe mais o prazo obrigatório de 30 dias para corrigir antes da punição. A agência pode levar em conta a boa-fé, mas não precisa avisar antes.
As multas foram corrigidas em janeiro de 2025: até US$ 2.663 por violação e até US$ 7.988 por violação intencional ou que envolva menores de 16 anos. Como cada visitante ou cada pedido pode contar como uma violação, a conta cresce rápido. O cidadão só pode processar diretamente em casos de vazamento de dados, com indenização entre US$ 107 e US$ 799 por pessoa e incidente.
A Sephora pagou US$ 1,2 milhão em 2022 por rastreadores e GPC. Em março de 2025, a Honda pagou US$ 632.500 à agência por exigir dados demais para o opt-out e por uma ferramenta que não apresentava as escolhas de forma equilibrada. Em maio de 2025, a marca de roupas Todd Snyder pagou US$ 345.178 porque um portal mal configurado deixou de processar pedidos de opt-out por 40 dias.
Em julho de 2025, o procurador-geral fechou acordo de US$ 1,55 milhão com o site de saúde Healthline, que não respeitava recusas de publicidade direcionada, inclusive pelo GPC. Em setembro de 2025, a Tractor Supply recebeu multa de US$ 1,35 milhão, que inclui falhas no tratamento do GPC. Em fevereiro de 2026, a Disney fechou o maior acordo até então, de US$ 2,75 milhões, porque o opt-out e o GPC valiam só em um aparelho ou serviço.
AdSense e Ad Manager
O Google oferece o processamento restrito de dados, chamado RDP. Quando o sinal está presente, o Google não mostra anúncios baseados no comportamento anterior do visitante e envia pedidos não personalizados aos compradores. Nesse modo, o Google atua como prestador de serviço, figura que a lei californiana não trata como venda.
Há dois caminhos. O primeiro é uma CMP que gere a string GPP, o formato do IAB Tech Lab para sinais de privacidade. O AdSense e o Ad Manager leem a seção US National e a seção da Califórnia. Na seção da Califórnia, recusar a venda ou o compartilhamento ativa o RDP, e a recusa para menores de 16 anos aciona o tratamento para crianças. O segundo caminho é ativar o RDP direto na tag, por exemplo com restrictDataProcessing na GPT, só para quem clicou no link de opt-out.
A Mensagem de privacidade para estados dos EUA, no menu Privacidade e mensagens do AdSense e do Ad Manager, cobre a Califórnia. Ela mostra o link Do Not Sell or Share My Personal Information, registra a recusa e grava a escolha em GPP. O Google lembra, porém, que a responsabilidade de cumprir a lei continua sendo do site.
Header bidding, redes de vídeo e pixels de redes sociais também recebem dados. O opt-out precisa chegar a todos eles, não só ao Google.
Na prática
Exemplos do dia a dia de um site com AdSense ou Ad Manager e visitantes californianos.
Erros comuns
Quase todos os acordos públicos tratam de opt-out que parece funcionar, mas não funciona.
O link Do Not Sell or Share abre a política de privacidade em vez de uma tela onde o visitante consegue recusar de fato.
A CMP detecta o GPC, porém as tags de anúncios carregam antes ou continuam recebendo o sinal de não recusado.
O RDP é ativado no Google, mas os parceiros de header bidding e pixels de terceiros seguem coletando dados.
Aceitar tudo com um clique e recusar só depois de abrir configurações. A falta de equilíbrio nas escolhas pesou no caso Honda.
Política sem data de atualização, sem as categorias de dados ou sem dizer que há compartilhamento para anúncios.
O banner aparece, mas nenhuma string GPP é gerada, então o Google e os parceiros não recebem a escolha do visitante.
No ConsentMode
Pode valer. A lei não exige sede na Califórnia. Se a empresa atende moradores do estado e passa de um dos três limites, como 100 mil consumidores ou domicílios por ano com dados compartilhados para anúncios, ela entra. Abaixo dos limites, a lei não se aplica, mas o Google e outros parceiros continuam lendo os sinais de opt-out.
Anúncios personalizados com base na navegação em outros sites se encaixam no conceito de compartilhamento. Com o RDP ativo, o Google passa a atuar como prestador de serviço e mostra só anúncios não personalizados para aquele visitante.
A CCPA funciona por opt-out, então não exige pedir permissão antes para adultos. O que ela exige é o aviso na coleta, o link de recusa e o respeito ao GPC. Para menores de 16 anos, é preciso opt-in.
Sim. O procurador-geral e a agência tratam o GPC como pedido válido de opt-out, e vários acordos, como os da Sephora, Tractor Supply e Disney, citam falhas no GPC. Desde 2026 o site também precisa mostrar se processou o sinal.
Vale para empresas cobertas pela lei cujas atividades estejam na lista de risco significativo das regras da agência. Quem faz anúncios personalizados deve conferir essa lista com um advogado. Um blog abaixo dos limites da CCPA não precisa. Quem está acima e se encaixa na lista precisa documentar a avaliação e enviar a declaração até 1º de abril de 2028.
Não. O ConsentMode não é CMP e não mostra banner. Ele audita o site de fora e mostra o que corrigir. A decisão jurídica cabe ao seu advogado.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site como visitante da Califórnia, com e sem GPC, e mostra o que corrigir sem alterar nada.