Atividade comercial no Canadá
Empresas privadas que coletam, usam ou divulgam informações pessoais em atividades comerciais em todo o país seguem a PIPEDA.
Guia · Lei federal do Canadá
A PIPEDA é a lei federal que regula como empresas privadas usam dados pessoais no Canadá. Para anúncios baseados em comportamento, o Comissário de Privacidade aceita o modelo de opt-out, mas só com condições claras. Este guia explica quando a lei se aplica, o que é consentimento significativo e como configurar o site.
O que é
A PIPEDA (Personal Information Protection and Electronic Documents Act, ou Lei de Proteção de Informações Pessoais e Documentos Eletrônicos) é a lei federal canadense de privacidade para o setor privado. Ela vale para organizações que coletam, usam ou divulgam informações pessoais durante atividades comerciais.
Informação pessoal, para a lei, é qualquer informação sobre uma pessoa identificável. Em um site, isso inclui dados de formulários e também identificadores usados para acompanhar a navegação e escolher anúncios.
A lei é fiscalizada pelo Comissário de Privacidade do Canadá (Office of the Privacy Commissioner, ou OPC). É ele quem publica as orientações sobre consentimento e publicidade comportamental que os editores usam como referência.
Checklist
O que a PIPEDA e as orientações do Comissário de Privacidade pedem de um site com anúncios que recebe visitantes do Canadá.
A empresa precisa nomear alguém responsável por cumprir os princípios da lei. Publique um contato para dúvidas e pedidos.
Responsável pela privacidade: João Souza. Contato: privacidade@seusite.com
O OPC pede que a pessoa entenda de forma clara o que é coletado, com quem é compartilhado, para quê e quais os riscos. O Google também exige que a política diga que terceiros, como o Google, usam cookies para mostrar anúncios.
Usamos cookies nossos e de parceiros, como o Google, para mostrar anúncios com base nos seus interesses. Você pode recusar a qualquer momento.
O opt-out em anúncios só é aceito se for fácil, de preferência antes da coleta, e se valer na hora e nas próximas visitas. Os dados devem ser destruídos ou desidentificados assim que possível.
Link fixo no rodapé: Escolhas de anúncios
Saúde, finanças, origem étnica, opiniões políticas, dados genéticos e biométricos, vida sexual e religião pedem consentimento expresso. Peça também um sim explícito para usos fora do que a pessoa esperaria.
Se a pessoa não consegue recusar a técnica, o OPC diz que ela não deve ser usada para anúncios. Os exemplos citados são cookies zumbis, supercookies e impressão digital do aparelho.
Para quem não consegue dar consentimento significativo, peça aos pais ou responsáveis, e o OPC considera que isso vale em regra para menores de 13 anos. Como boa prática, evite rastrear crianças e sites voltados a elas.
A pessoa pode saber quais dados o site tem, ver e contestar esses dados. Ela também pode retirar o consentimento, e a coleta e o uso devem parar.
Vazamento com risco real de dano significativo deve ser comunicado ao OPC e às pessoas afetadas. Todo vazamento precisa ficar registrado por dois anos.
Na prática
Ferramentas oficiais
O Google não exige CMP certificada nem tem mensagem própria para o Canadá, então os links abaixo mostram o que o Google pede de todo editor e o que o regulador espera.
A quem se aplica
O Canadá tem leis federais e provinciais. Entender qual vale evita configurar o site errado.
Empresas privadas que coletam, usam ou divulgam informações pessoais em atividades comerciais em todo o país seguem a PIPEDA.
Alberta, Colúmbia Britânica e Québec têm leis do setor privado consideradas semelhantes. Dentro dessas províncias, essas leis costumam valer no lugar da PIPEDA.
Quando os dados passam de uma província para outra ou saem do país, a PIPEDA continua valendo, inclusive nessas três províncias.
Bancos, companhias aéreas, telecomunicações e emissoras seguem sempre a PIPEDA, inclusive para dados de funcionários.
Princípios
O anexo 1 da PIPEDA traz 10 princípios de informação justa. Agrupados, eles cabem em seis ideias práticas.
A empresa é responsável pelos dados que controla e deve indicar alguém para cuidar da conformidade.
Diga para que os dados serão usados antes ou no momento da coleta, e obtenha o consentimento adequado.
Colete só o necessário, use só para o que foi informado e não guarde por mais tempo do que precisa.
Mantenha os dados corretos e protegidos contra acesso indevido.
Torne as suas práticas fáceis de encontrar e de entender, como numa política de privacidade clara.
A pessoa pode ver os dados dela, pedir correção e reclamar de como a empresa cumpre a lei.
Consentimento
A PIPEDA exige consentimento significativo. Isso quer dizer que a pessoa precisa entender o que está aceitando: quais dados, para quê, com quem são compartilhados e quais riscos existem.
A lei aceita dois tipos de consentimento. O expresso é um sim ativo, como marcar uma caixa. O implícito, ou opt-out, é aceito quando a informação é pouco sensível e o uso é razoavelmente esperado, desde que a pessoa tenha uma forma fácil de recusar.
Quanto mais sensível o dado, mais forte o consentimento. O OPC espera consentimento expresso para dados de saúde e financeiros, origem étnica e racial, opiniões políticas, dados genéticos e biométricos, vida sexual, orientação sexual e crenças religiosas.
A publicidade comportamental também não pode ser condição para usar a internet ou o site. Ou seja, o visitante que recusa o rastreamento continua com acesso ao conteúdo.
Publicidade comportamental
As orientações sobre privacidade e publicidade comportamental online, atualizadas em dezembro de 2015, aceitam o opt-out só quando todas estas condições são cumpridas.
O rastreamento para anúncios precisa ser explicado de forma evidente, e não escondido na política de privacidade. Banners e avisos em camadas ajudam.
A pessoa é informada antes ou no momento da coleta, inclusive sobre quem são os parceiros envolvidos.
Recusar precisa ser simples, de preferência antes de a coleta começar.
O opt-out vale na hora e continua valendo nas próximas visitas.
A coleta fica limitada a informações não sensíveis, sempre que possível.
Os dados são destruídos ou desidentificados assim que possível.
Obrigações do site
Fiscalização
O OPC recebe reclamações, investiga, publica conclusões e faz recomendações. Na PIPEDA, o caminho para obrigar uma empresa a cumprir a lei passa pelo Tribunal Federal, que pode dar ordens e conceder indenizações.
Algumas condutas são crime. Descumprir de propósito as regras de comunicação e registro de vazamentos pode levar a multas. E uma investigação pública do OPC, mesmo sem multa, costuma ter efeito forte na reputação de um site.
Em 15 de junho de 2026, o governo apresentou na Câmara dos Comuns o projeto C-36, que cria a Lei de Proteção da Privacidade e dos Dados do Consumidor e altera a PIPEDA. Até o começo de novembro de 2026, o projeto estava em segunda leitura e não tinha sido aprovado. Enquanto isso, a PIPEDA continua valendo como está.
Linha do tempo
Da orientação sobre anúncios ao projeto de reforma.
O OPC atualiza as condições para aceitar o opt-out em anúncios baseados em interesses.
O OPC publica as orientações sobre comunicação e registro de vazamentos de dados.
A província inicia a entrada em vigor da sua lei em três fases. Para visitantes do Québec, as regras são mais rígidas.
O projeto de reforma da privacidade federal é apresentado na Câmara dos Comuns.
AdSense e Ad Manager
A política de consentimento de usuários da UE do Google vale para o EEE, o Reino Unido e a Suíça. O Canadá não está nessa lista, então o Google não exige CMP certificada nem a mensagem do TCF para o tráfego canadense.
Mesmo assim, as políticas para editores do Google valem no mundo todo. A política de privacidade do site precisa dizer que terceiros podem gravar e ler cookies ou usar web beacons e endereços IP para servir anúncios. E o conteúdo voltado a crianças não pode receber anúncios baseados em interesses.
Para cumprir a PIPEDA, o editor costuma combinar três peças: um aviso visível sobre anúncios personalizados, um link de opt-out permanente e uma CMP ou configuração que pare de pedir anúncios personalizados para quem recusou. Para visitantes do Québec, a configuração precisa ser mais rígida por causa da Lei 25.
Na prática
Exemplos com base nas orientações do OPC sobre consentimento e publicidade.
No ConsentMode
A PIPEDA não exige um banner no formato europeu. Ela exige consentimento significativo. Para anúncios baseados em interesses, o OPC aceita opt-out se o aviso for evidente e o opt-out for fácil, imediato e duradouro. Um aviso em camadas costuma ser o jeito mais simples de cumprir isso.
A PIPEDA é federal e vale em todo o país. A Lei 25 é do Québec e é mais rígida, com multas administrativas altas e regras próprias para tecnologias de rastreamento. Para visitantes do Québec, siga a Lei 25.
Na PIPEDA, o OPC investiga e recomenda, e os casos podem ir ao Tribunal Federal. Algumas condutas, como descumprir de propósito as regras de vazamentos, são crime e podem gerar multas. O projeto C-36, ainda em tramitação, propõe mudar esse modelo.
Não. A exigência de CMP certificada com TCF vale para o EEE, o Reino Unido e a Suíça. Para o Canadá, valem as políticas gerais do Google e a lei canadense.
Pode valer quando o site tem relação real com o público canadense, como conteúdo e anúncios voltados ao Canadá. Essa análise é jurídica. Na prática, oferecer aviso claro e opt-out para visitantes canadenses é uma configuração simples.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria testa aviso, opt-out, CMP e política de privacidade, e entrega um plano de correção.