Alphabet (Google)
Busca, YouTube, Android, Chrome, Google Play, Google Maps, Google Shopping e o serviço de publicidade online.
Guia · Regulamento europeu
A Lei de Mercados Digitais (DMA) é uma regra europeia para as grandes plataformas, como o Google. Ela não fala com o seu site diretamente, mas mudou a forma como o Google recebe o consentimento dos visitantes europeus. Este guia explica o que é o DMA, o que ele exige do Google e o que muda para editores e anunciantes.
O que é
A Lei de Mercados Digitais, ou Digital Markets Act (DMA), é o Regulamento (UE) 2022/1925. Ela entrou em vigor em 1º de novembro de 2022 e passou a ser aplicável em 2 de maio de 2023.
O objetivo é deixar os mercados digitais mais justos e abertos. Para isso, o DMA cria uma lista de deveres e proibições para os chamados gatekeepers, ou controladores de acesso: empresas muito grandes que funcionam como porta de entrada entre negócios e consumidores.
O DMA não substitui o GDPR nem as regras de concorrência. Ele soma obrigações às que já existem. E, diferente do GDPR, não é dirigido a sites comuns: quem precisa cumprir são os gatekeepers.
Mesmo assim, o efeito chega a qualquer site com anúncios do Google. Para cumprir o DMA, o Google precisou mudar a forma como recebe e usa o consentimento dos visitantes europeus, e repassou essa exigência para editores e anunciantes.
Checklist
O DMA obriga os gatekeepers, mas o Google repassa ao seu site o dever de coletar e enviar o consentimento dos visitantes do EEE.
A política de consentimento do Google exige consentimento válido para cookies, quando a lei pede, e para o uso de dados pessoais em anúncios personalizados. Isso vale para todo site que usa produtos do Google com visitantes do EEE.
O Google aparece na lista de parceiros do banner, com as finalidades de anúncios.
Para continuar usando medição, anúncios personalizados e remarketing com visitantes do EEE, o Google pede que o site envie os sinais ad_user_data e ad_personalization, além de ad_storage e analytics_storage.
Na CMP, ative a integração com o Consent Mode e confira se os quatro sinais aparecem.
O Google pede que o comando padrão de consentimento rode em todas as páginas antes de qualquer comando que envie dados. Assim, nada sai antes da escolha do visitante.
gtag('consent', 'default', {
'ad_storage': 'denied',
'ad_user_data': 'denied',
'ad_personalization': 'denied',
'analytics_storage': 'denied'
});Para anúncios personalizados do Google no EEE, Reino Unido e Suíça, o AdSense e o Ad Manager exigem uma CMP certificada pelo Google e integrada ao IAB TCF.
No TCF, o Google precisa de consentimento nas finalidades 1, 3 e 4 para anúncios personalizados e na finalidade 1 para não personalizados. Sem consentimento na finalidade 1, o site não deve chamar a tag de anúncios do Google.
Na CMP, ative o Google como fornecedor e marque as finalidades 1, 3 e 4 como disponíveis.
Desde março de 2024, listas de clientes do EEE enviadas ao Google Ads precisam levar os dois consentimentos como concedidos. Sem eles, esses dados não são usados para personalização.
A política do Google pede que o site guarde registro dos consentimentos e dê instruções claras para a pessoa retirar a escolha.
Um link fixo no rodapé, Preferências de privacidade, reabre o banner.
Na prática
Ferramentas oficiais
O DMA não tem lista própria de CMPs, então vale a lista de CMPs certificadas do Google e o guia oficial do Consent Mode.
Gatekeepers
Seis empresas foram designadas em 6 de setembro de 2023. A Booking entrou em maio de 2024. Ao todo, a lista oficial traz 23 serviços principais de plataforma.
Busca, YouTube, Android, Chrome, Google Play, Google Maps, Google Shopping e o serviço de publicidade online.
Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Meta Ads.
Marketplace e publicidade da Amazon. App Store, iOS, iPadOS e Safari da Apple.
TikTok, LinkedIn, Windows e a plataforma de reservas da Booking.
A regra do consentimento
Entre as regras do DMA, uma afeta diretamente a publicidade: o gatekeeper não pode tratar dados pessoais de usuários que vêm de serviços de terceiros para fazer publicidade, nem combinar ou cruzar dados entre os seus serviços, sem que o usuário tenha escolhido isso e dado consentimento no sentido do GDPR.
Os considerandos do regulamento explicam como esse consentimento deve ser. A pessoa precisa poder optar livremente. Não dar consentimento não pode ser mais difícil do que dar. Retirar precisa ser tão fácil quanto dar. E o gatekeeper não pode pedir de novo mais de uma vez por ano a quem já recusou.
Quem recusa também deve ter acesso a uma alternativa menos personalizada, mas equivalente. O serviço não pode ficar condicionado ao consentimento.
Para o Google, isso quer dizer: quando dados de um visitante chegam pelas tags instaladas em sites e apps de terceiros, como as de Google Ads, Analytics, AdSense e Ad Manager, o Google precisa saber se aquele visitante europeu consentiu. É aqui que entram os novos sinais do Consent Mode.
Linha do tempo
As datas que explicam por que 2024 foi o ano da mudança.
O Regulamento (UE) 2022/1925 passa a existir oficialmente.
As empresas que atingem os limites têm dois meses para avisar a Comissão.
Alphabet, Amazon, Apple, ByteDance, Meta e Microsoft são designados, com até seis meses para cumprir as obrigações.
O Google publica mudanças nas APIs de anúncios para apoiar o DMA, com objeto de consentimento para conversões e listas de clientes.
AdSense, Ad Manager e AdMob passam a exigir CMP certificada pelo Google e integrada ao TCF para anúncios personalizados no EEE e no Reino Unido.
Os gatekeepers precisam cumprir todas as obrigações. O Google reforça a política de consentimento da UE e as listas de clientes sem consentimento começam a perder alcance.
Consent Mode v2
Antes de 2024, o Consent Mode tinha dois sinais principais: ad_storage, para cookies de anúncios, e analytics_storage, para cookies de medição. Eles diziam se o navegador podia gravar cookies, mas não diziam se a pessoa aceitava que os dados dela fossem usados pelo Google para publicidade.
A versão 2 trouxe dois sinais novos. O ad_user_data diz se os dados do visitante podem ser enviados ao Google para fins de publicidade online. O ad_personalization diz se a pessoa aceita anúncios personalizados, como remarketing.
Com esses sinais, o Google consegue provar que tem o consentimento exigido pelo DMA para usar os dados que chegam pelas tags. Sem eles, o Google deixa de usar os dados de visitantes do EEE para criar públicos, fazer remarketing e personalizar anúncios.
O Consent Mode não é um banner. Quem pergunta ao visitante é a CMP. O Consent Mode só leva a resposta até as tags do Google.
O que muda para cada lado
O mesmo visitante europeu passa pelos dois lados: pelo site que mostra o anúncio e pelo site do anunciante que mede a conversão.
O sinal principal para anúncios é a string do TCF enviada por uma CMP certificada pelo Google.
O sinal principal é o Consent Mode v2, com os quatro parâmetros.
Fiscalização
Quem aplica o DMA é a Comissão Europeia. As multas são para os gatekeepers, mas a pressão chega aos parceiros, que precisam enviar os sinais certos.
Do faturamento mundial anual total da empresa por descumprimento.
Para infrações repetidas, o teto dobra.
Pagamentos periódicos de até 5% do faturamento médio diário para forçar o cumprimento.
Os gatekeepers entregam relatórios e uma descrição auditada das técnicas de perfil de consumidores.
O que fazer
gtag('consent', 'default', {
ad_storage: 'denied',
ad_user_data: 'denied',
ad_personalization: 'denied',
analytics_storage: 'denied',
region: ['AT', 'BE', 'DE', 'ES', 'FR', 'IT', 'PT', 'GB', 'CH'],
wait_for_update: 500
});Erros comuns
Todos esses erros deixam o banner funcionando na aparência, mas o Google recebe o sinal errado.
O site envia ad_storage e analytics_storage, mas não ad_user_data e ad_personalization. Para o Google, falta o consentimento exigido para anúncios.
A CMP carrega depois do código de anúncios. As primeiras solicitações saem sem nenhum sinal de consentimento.
O visitante recusa no banner, mas o update não é enviado. As tags continuam como se nada tivesse mudado.
O padrão negado vale para todos os países. Visitantes do Brasil e dos EUA perdem anúncios sem necessidade.
No ConsentMode
Não diretamente. O DMA é para os gatekeepers, como o Alphabet. Mas, para cumprir o DMA, o Google exige que editores e anunciantes enviem o consentimento dos visitantes europeus. Na prática, quem usa produtos do Google sente o efeito.
O GDPR protege os dados pessoais e vale para qualquer empresa que trate dados de pessoas na Europa. O DMA regula o comportamento das grandes plataformas no mercado. O DMA usa a definição de consentimento do GDPR.
Para visitantes do Brasil, o Google não exige. Se você tiver visitantes do EEE, a exigência vale para eles. Use regiões para não negar o consentimento no Brasil.
Não. O TCF é o padrão da IAB Europe que as CMPs certificadas usam para passar o consentimento a todos os parceiros de anúncios. O Consent Mode é a forma de o Google receber a escolha nas próprias tags. Uma CMP certificada costuma cuidar dos dois.
Não por si só. O que reduz a receita é não enviar os sinais, ou negar tudo no mundo inteiro. Com os sinais corretos e regiões bem definidas, quem aceita continua com anúncios personalizados.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria lê os comandos de consentimento, a CMP e o TCF como um visitante europeu e mostra o que corrigir.