Cabeçalho Sec-GPC
O aviso que o navegador envia ao servidor em cada pedido. Quando a pessoa ligou o GPC, ele vale exatamente 1.
Guia · Sinal do navegador
O GPC é um aviso automático que o navegador envia a cada site dizendo que a pessoa não quer ter os dados vendidos ou compartilhados. Em vários estados americanos, ignorar esse aviso já rendeu multa. Veja como reagir e como testar.
O que é
O Global Privacy Control, ou GPC, é uma configuração do navegador. Quando a pessoa liga essa opção, o navegador passa a avisar todos os sites visitados que ela não quer ter os dados pessoais vendidos ou compartilhados.
A grande diferença para um banner de cookies é que ninguém precisa clicar em nada no seu site. A recusa já chega pronta, antes mesmo de a página carregar. O site só precisa ler o aviso e obedecer.
O GPC já vem no Brave e no DuckDuckGo, onde fica ligado por padrão, e no Firefox, onde a pessoa ativa nas configurações. Extensões como Privacy Badger, Disconnect e OptMeowt também enviam o sinal em outros navegadores.
A proposta nasceu em 2020, num grupo da W3C, a organização que cria padrões da web. Em novembro de 2024, virou item oficial de trabalho do Grupo de Trabalho de Privacidade da W3C, onde está sendo padronizada.
Checklist
Estas obrigações valem onde a lei exige o GPC, como Califórnia, Colorado e Connecticut, para empresas dentro dos limites de cada lei.
Na Califórnia, o GPC é um pedido válido de recusa. No Colorado, desde 1º de julho de 2024, ele vale como recusa de venda e de publicidade direcionada. Em Connecticut, a obrigação vale desde 1º de janeiro de 2025.
O navegador avisa pelo cabeçalho Sec-GPC com valor 1 e pela propriedade navigator.globalPrivacyControl. O guia oficial do GPC pede que o script fique o mais cedo possível na página.
// Lê o GPC antes das tags e liga o RDP na GPT
if (navigator.globalPrivacyControl === true) {
googletag.cmd.push(function () {
googletag.pubads().setPrivacySettings({
restrictDataProcessing: true
});
});
}As regras do Colorado proíbem exigir login para aceitar o sinal e pedir mais dados do que o estritamente necessário.
No Colorado, a política precisa dizer como as recusas por sinal universal, como o GPC, são processadas.
Respeitamos o Global Privacy Control. Se o seu navegador envia esse sinal, tratamos a visita como recusa de venda e de publicidade direcionada.
O Google liga o RDP quando a string GPP mostra recusa, ou quando a tag pede o RDP. A mesma recusa precisa chegar ao header bidding e aos pixels.
Na Califórnia, as regras em vigor desde 2026 pedem que o site mostre ao visitante o status da escolha dele. No Colorado, mostrar que o sinal foi respeitado é permitido.
Painel de privacidade: Sinal GPC recebido. Sua recusa foi aplicada.
Na prática
Ferramentas oficiais
O GPC não tem lista de CMPs certificadas, e o Google não exige CMP certificada nos EUA. Confira se a sua CMP lê o GPC e grava a recusa na string GPP.
Definições
Estas palavras aparecem nas leis, nas CMPs e nas ferramentas de desenvolvedor do navegador.
O aviso que o navegador envia ao servidor em cada pedido. Quando a pessoa ligou o GPC, ele vale exatamente 1.
A mesma informação disponível para os scripts da página. Fica verdadeiro quando o GPC está ligado e falso quando não está.
Um arquivo opcional no endereço well-known do site em que o dono declara que respeita o GPC e a data da última atualização.
Na Califórnia, compartilhar quer dizer usar os dados para publicidade comportamental entre sites diferentes. Anúncios programáticos costumam entrar aqui.
Termo usado por leis como as do Colorado e Connecticut para anúncios escolhidos com base no que a pessoa faz em outros sites.
Nome genérico que as leis usam para avisos automáticos como o GPC. Cada estado diz quais sinais aceita.
A quem se aplica
As leis valem para empresas que atingem os critérios de cada estado, como volume de dados de moradores. Confira com o jurídico se o seu site entra nesses critérios.
A procuradoria-geral diz que o GPC precisa ser aceito pelas empresas cobertas como pedido válido para parar de vender ou compartilhar dados.
Desde 1º de julho de 2024, as empresas cobertas precisam respeitar o GPC. Hoje, é o único sinal universal aceito pelo estado.
Desde 1º de janeiro de 2025, sinais do navegador valem como recusa de venda de dados e de publicidade direcionada.
Desde 1º de janeiro de 2026, moradores podem usar um sinal universal de recusa enviado pelo navegador ou por extensão.
Outras leis estaduais dos EUA também tratam de sinais universais de recusa, com datas próprias. A lista muda com frequência.
No Brasil e na Europa, o GPC não substitui o banner nem o consentimento. Mesmo assim, respeitar o sinal mostra cuidado com o visitante.
Direitos do visitante
Para a lei, o GPC é o mesmo que a pessoa clicar no link Não vender ou compartilhar minhas informações. A diferença é que ela não precisa encontrar esse link em cada site.
Depois de receber a recusa, o site não pode mais vender nem compartilhar os dados daquela pessoa, a menos que ela autorize de novo. Na Califórnia, a orientação oficial é atender pedidos de recusa o quanto antes, sem passar de 15 dias úteis.
Em Connecticut, o sinal vale mesmo quando conflita com uma escolha anterior da pessoa ou com um programa de fidelidade. O site pode avisar sobre o conflito e pedir confirmação, mas não pode simplesmente ignorar o sinal.
O GPC não pede que o site pare de funcionar nem que esconda anúncios. Os anúncios continuam aparecendo. Eles só não podem usar os dados daquela pessoa para venda, compartilhamento ou publicidade direcionada.
Obrigações do site
// Lê o GPC antes das tags de anúncio
if (navigator.globalPrivacyControl === true) {
// trate como recusa de venda, compartilhamento
// e publicidade direcionada
// a CMP deve refletir isso na GPP string
}
// Opcional: /.well-known/gpc.json
{ "gpc": true, "lastUpdate": "2026-11-02" }AdSense e Ad Manager
O GPC fala com o seu site, não diretamente com cada parceiro de anúncios. Por isso, o caminho mais seguro é a CMP transformar o sinal numa recusa registrada na GPP string.
O Ad Manager lê a seção nacional dos EUA e as seções da Califórnia, Colorado, Connecticut, Flórida e Virgínia. Quando a string mostra recusa de venda, compartilhamento ou publicidade direcionada, o Google liga o processamento restrito de dados.
Com isso, o anúncio continua sendo exibido, mas sem personalização baseada nos dados daquele visitante. A receita por visita costuma cair um pouco, mas o site deixa de correr o risco de ignorar uma recusa válida.
Atenção ao header bidding e às redes extras. Se só a tag do Google recebe a recusa, outros compradores do leilão continuam usando os dados como se o visitante nunca tivesse recusado.
Linha do tempo
Em poucos anos, o GPC saiu de proposta técnica para alvo de fiscalização conjunta entre estados.
O GPC começa num grupo comunitário de privacidade da W3C.
A procuradoria da Califórnia anuncia acordo de US$ 1,2 milhão. Uma das acusações é não processar recusas enviadas pelo GPC.
Empresas cobertas pela lei do Colorado passam a respeitar o GPC como recusa de venda e de publicidade direcionada.
O GPC passa a ser padronizado pelo Grupo de Trabalho de Privacidade da W3C.
Sinais como o GPC passam a valer como recusa de venda e de publicidade direcionada.
Califórnia, Colorado e Connecticut enviam cartas a empresas que parecem não respeitar o GPC.
Moradores do Oregon passam a poder usar um sinal universal de recusa pelo navegador.
Fiscalização
Quem fiscaliza são as procuradorias-gerais de cada estado e, na Califórnia, também a agência estadual de privacidade. Elas podem investigar, exigir correção e aplicar penalidades previstas em cada lei.
O primeiro caso grande foi o da Sephora, em 2022. A procuradoria da Califórnia afirmou que a empresa não processava recusas enviadas pelo GPC e não corrigiu o problema no prazo que a lei dava na época. O acordo foi de US$ 1,2 milhão.
Em setembro de 2025, Califórnia, Colorado e Connecticut fizeram uma varredura conjunta e enviaram cartas a empresas que não pareciam respeitar o GPC, pedindo correção imediata.
O teste que as autoridades fazem é simples: ligar o GPC no navegador e ver se o site continua mandando dados para parceiros de anúncios. Qualquer pessoa consegue repetir esse teste.
Erros comuns
Na maioria dos casos, o dono do site acha que está tudo certo porque o banner aparece.
A opção existe na CMP, mas está desligada. O sinal chega e ninguém lê.
Pixels e anúncios carregam antes de a CMP ler o sinal. Os primeiros dados já saíram quando a recusa é aplicada.
A CMP registra a recusa, mas não atualiza a GPP string. Os parceiros nunca ficam sabendo.
O site mostra um aviso pedindo que a pessoa confirme a recusa antes de aplicá-la. O sinal já é a recusa.
A recusa chega ao Google, mas não aos outros compradores do leilão.
O sinal é respeitado para um estado e ignorado nos outros onde também é exigido.
Na prática
Exemplos do dia a dia para sites com visitantes dos Estados Unidos.
No ConsentMode
Não. O banner continua necessário onde a lei pede aviso ou consentimento. O GPC é uma recusa automática que o site precisa respeitar, com ou sem banner.
Se você tem visitantes dos EUA e o seu negócio entra nos critérios das leis estaduais, sim. Para o público do Brasil, a LGPD não cita o GPC, mas respeitar o sinal não atrapalha os anúncios.
Não. Os anúncios continuam. Eles só não podem usar os dados daquele visitante para venda, compartilhamento ou publicidade direcionada.
No Firefox, ative a opção nas configurações de privacidade. No Brave e no DuckDuckGo, o sinal já vem ligado. Depois, digite navigator.globalPrivacyControl no console: o resultado deve ser true.
Não. Ele é uma declaração opcional prevista na especificação. O que conta para a lei é o site de fato aplicar a recusa.
Não conte com isso. O caminho seguro é a CMP transformar o sinal numa recusa na GPP string, que o Ad Manager lê e usa para restringir o processamento de dados.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria visita o site com e sem GPC e mostra a diferença, sem alterar nada.