100 mil consumidores
Controla ou trata dados de pelo menos 100 mil consumidores de Minnesota. Dados usados só para concluir um pagamento não contam.
Guia · Lei estadual dos EUA
A Minnesota Consumer Data Privacy Act vale desde 31 de julho de 2025 e trouxe direitos que outros estados não tinham, como questionar o resultado de um perfil automatizado. Neste guia você entende quem precisa cumprir, o inventário de dados, o GPC obrigatório e o que muda para um site com AdSense ou Ad Manager.
O que é
A Minnesota Consumer Data Privacy Act, ou MCDPA, é a lei geral de privacidade de Minnesota. Ela foi sancionada em 19 de maio de 2024, fica no capítulo 325M das leis do estado e entrou em vigor em 31 de julho de 2025. Instituições de ensino superior reguladas pelo estado só precisam cumprir a partir de 31 de julho de 2029.
A base é a mesma das leis de Connecticut e do Colorado: acesso, correção, exclusão, portabilidade e recusa de publicidade direcionada, de venda e de perfis automatizados. O site coberto também precisa respeitar sinais universais de opt-out, como o GPC.
Minnesota foi além em dois pontos. O consumidor pode questionar o resultado de um perfil automatizado que gerou uma decisão importante sobre ele. E a empresa precisa manter um inventário dos dados que trata e documentar suas políticas de privacidade, com o nome do responsável.
Para um site com anúncios, a parte que mais pesa é a de sempre: opt-out que funciona, GPC respeitado e página de privacidade completa. Mas os novos deveres internos mostram que Minnesota espera mais organização de quem trata dados em volume.
Checklist
Se o seu site passa dos limites da MCDPA, estes pontos precisam estar funcionando.
O site precisa aceitar o opt-out enviado por um sinal de preferência, como o GPC, ligado pelo próprio visitante. O sinal não pode vir ligado por padrão.
Visitante com GPC ligado: o site liga o processamento restrito de dados do Google só para ele.
<!-- AdSense: anúncio sem dados de comportamento -->
<ins class="adsbygoogle" ...
data-restrict-data-processing="1"></ins>
// GPT (Ad Manager)
googletag.pubads().setPrivacySettings({
'restrictDataProcessing': true
});Quem vende dados, faz publicidade direcionada ou perfis precisa de um método claro e visível para recusar, fora do texto do aviso.
Um link no rodapé chamado Your Opt-Out Rights ou Your Privacy Rights.
O aviso de privacidade precisa estar num link visível, com a palavra privacy, a partir da página inicial.
Link Privacy Policy no rodapé da página inicial.
O AdSense exige que a política de privacidade avise sobre os cookies de anúncios do Google e de outros fornecedores. Ela também precisa dizer como o visitante recusa os anúncios personalizados.
Fornecedores terceiros, incluindo o Google, usam cookies para mostrar anúncios com base em visitas anteriores ao seu site ou a outros sites. Você pode desativar a publicidade personalizada nas Configurações de anúncios do Google.
O opt-out vale o quanto antes, em no máximo 45 dias. Os outros pedidos também têm 45 dias, com uma prorrogação possível.
Dados sensíveis só podem ser tratados com consentimento. Se o visitante retirar o consentimento, o uso para em até 15 dias.
Retirar o consentimento tem de ser tão fácil quanto dar, por exemplo com o mesmo botão no mesmo lugar.
Se você sabe que o visitante tem de 13 a 16 anos, precisa do consentimento dele para usar os dados em publicidade direcionada ou vendê-los.
Mantenha um inventário dos dados que o site trata. Documente as políticas de privacidade com o nome e o contato do responsável.
Na prática
Ferramentas oficiais
O Google não exige CMP certificada nem GPP para Minnesota, então você pode usar a mensagem do próprio Google ou uma CMP com GPP.
Quem precisa cumprir e definições
A lei vale para quem faz negócios em Minnesota ou oferece produtos e serviços direcionados aos moradores do estado e, num ano civil, passa de um dos limites abaixo. Não há isenção geral para entidades sem fins lucrativos. Dado pessoal é qualquer informação ligada ou que possa ser ligada a uma pessoa, como cookies e identificadores de anúncio.
Controla ou trata dados de pelo menos 100 mil consumidores de Minnesota. Dados usados só para concluir um pagamento não contam.
Controla ou trata dados de pelo menos 25 mil consumidores e tira mais de 25% da receita bruta da venda de dados pessoais.
Pequenas empresas pela definição federal americana ficam fora da maior parte da lei, mas não podem vender dados sensíveis sem consentimento prévio.
Origem racial ou étnica, crença religiosa, saúde, orientação sexual, situação migratória, dados biométricos ou genéticos que identificam a pessoa, dados de criança conhecida e geolocalização específica.
A troca de dados pessoais por dinheiro ou por outra contrapartida de valor. Repasses a operadores, a empresas do mesmo grupo e em fusões ficam de fora.
Anúncio escolhido com dados da atividade do visitante ao longo do tempo em sites e apps de outras empresas. Anúncios próprios, contextuais e a medição de desempenho não entram.
Direitos das pessoas
A resposta deve sair em até 45 dias, com uma prorrogação de mais 45 se for avisada no prazo inicial. Dois pedidos por ano são gratuitos. O opt-out não exige comprovação de identidade.
Saber se a empresa trata dados dele e conhecer as categorias de dados tratados.
Corrigir dados errados, pedir a exclusão e receber uma cópia portátil dos dados.
Pedir que os dados não sejam usados para publicidade direcionada e não sejam vendidos, inclusive por sinal universal como o GPC.
Recusar perfis usados em decisões com efeito legal ou de impacto parecido, como moradia, seguro, educação, emprego, saúde ou serviços financeiros.
Questionar o resultado de um perfil que gerou uma decisão importante, entender os motivos e revisar os dados usados.
Receber a lista dos terceiros específicos que receberam os dados dele, ou a lista de todos os terceiros, se a empresa não registra por pessoa.
O que Minnesota tem de diferente
O direito de questionar perfis é a maior novidade da lei. Quando um perfil automatizado leva a uma decisão com efeito legal ou de impacto parecido, o consumidor pode questionar o resultado, saber os motivos e, quando possível, o que poderia ter feito para conseguir outra decisão. Ele também pode revisar os dados usados e, se estiverem errados, pedir a correção e uma nova avaliação.
O procurador-geral de Minnesota destacou que esses direitos valem com ou sem inteligência artificial. Para a maioria dos sites de conteúdo, esse direito aparece pouco, mas ele importa para sites que fazem pré-análise de crédito, cotação de seguro ou triagem de vagas.
A segunda novidade é interna. A lei pede segurança razoável, incluindo um inventário dos dados que a empresa trata. Também pede que a empresa documente suas políticas e procedimentos de privacidade, com o nome e o contato do responsável principal, como um encarregado de privacidade, quando houver.
Para quem vive de anúncios, o inventário é um bom exercício: listar quais scripts e parceiros de anúncio rodam no site, quais dados cada um recebe e para onde vão. É o mesmo mapa que ajuda a responder a lista de terceiros que o consumidor pode pedir.
Obrigações do site
Fiscalização e multas
Só o procurador-geral de Minnesota fiscaliza a lei. O consumidor que teve um recurso negado pode reclamar ao procurador-geral.
Nos primeiros seis meses, o procurador-geral precisava enviar um aviso e dar 30 dias para corrigir. Essa regra expirou em 31 de janeiro de 2026.
A multa civil pode chegar a US$ 7.500 por violação, além de ordem judicial para parar a prática.
Se o estado vencer, o juiz pode mandar a empresa pagar parte ou todo o custo do processo.
A empresa decide o recurso em até 45 dias, prorrogáveis por mais 60, e guarda o registro dos recursos por pelo menos 24 meses.
Linha do tempo
Em novembro de 2026, a lei está em vigor há mais de um ano e o prazo de correção já acabou.
Minnesota aprova a Consumer Data Privacy Act.
A lei passa a valer, com GPC obrigatório e prazo de correção de 30 dias.
Expira a regra que obrigava o procurador-geral a dar 30 dias para corrigir antes de agir.
Instituições de ensino superior reguladas pelo estado passam a ter de cumprir a lei.
Sites com AdSense e Ad Manager
Em Minnesota, o site coberto precisa respeitar sinais universais de opt-out enviados com o consentimento do visitante, como o Global Privacy Control, ou GPC. A lei diz que o endereço IP basta para saber se o visitante mora no estado. Se o sinal entrar em conflito com um programa de fidelidade, vale o sinal, e o site pode pedir confirmação.
O Google oferece no AdSense e no Ad Manager uma mensagem de regulamentos estaduais dos EUA, em Privacidade e mensagens, e Minnesota está entre os estados atendidos. A mensagem mostra o link Do Not Sell or Share. A recusa liga o processamento restrito de dados, chamado RDP, e o Google deixa de usar o comportamento anterior para escolher anúncios.
Sobre o GPC, o Google diz que o parceiro que implementou o sinal pode escolher ligar o RDP ao receber um GPC de opt-out. A configuração fica com o site ou com a CMP, e pode ser feita na tag, com o parâmetro restrictDataProcessing do GPT ou o atributo data-restrict-data-processing do AdSense.
A IAB Tech Lab já publicou uma seção do GPP específica de Minnesota, mas ela não está na lista de seções aceitas pelo Google. Para o Google, o caminho é a seção US National, em que a recusa de venda, compartilhamento ou publicidade direcionada liga o RDP.
Na prática
Exemplos para um site com tráfego de Minnesota que monetiza com anúncios programáticos.
Erros comuns
Minnesota pede mais itens na política e mais organização interna do que a maioria dos estados.
A página de privacidade não fala de retenção dos dados nem mostra a data da última atualização, itens exigidos em Minnesota.
Ninguém sabe dizer quais scripts de anúncio rodam no site e o que cada um recebe. Fica impossível responder a lista de terceiros.
A CMP aplica o GPC apenas para a Califórnia e ignora o sinal de visitantes de Minnesota.
O formulário de opt-out exige login ou documento. A lei diz que o opt-out não precisa de autenticação.
A CMP envia só a seção de Minnesota, que o Google não lê. Sem a US National, o opt-out não chega ao Google.
O visitante recusa, mas os pedidos de anúncio continuam sem RDP e sem opt-out na string GPP.
No ConsentMode
Pouco, na maioria dos casos. Ele vale para perfis que levam a decisões com efeito legal ou parecido, como crédito, seguro, moradia ou emprego. Escolher anúncios não costuma ser esse tipo de decisão, mas sites que fazem pré-análise de crédito ou triagem de vagas precisam se preparar.
Sim, se a lei se aplica ao seu site. A lei exige respeitar sinais universais de opt-out e aceita o endereço IP para saber se o visitante mora no estado.
É uma lista mantida pela empresa com os dados que ela trata. A lei coloca o inventário como parte das práticas de segurança razoáveis.
Quase. Pequenas empresas pela definição federal americana ficam fora da maior parte da lei, mas não podem vender dados sensíveis sem consentimento prévio.
Não. O prazo de 30 dias valia até 31 de janeiro de 2026. Desde então, o procurador-geral pode agir sem dar esse prazo.
O ConsentMode não é CMP nem escritório de advocacia. A auditoria mostra o que o site faz de fato com o opt-out, o GPC, o GPP e a página de privacidade, para você corrigir com o seu fornecedor e o seu advogado.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site como visitante dos EUA, com e sem GPC, e mostra o que corrigir, sem alterar nada.