Informação pessoal
Qualquer informação ligada a uma pessoa identificada ou identificável, registrada por meio eletrônico ou não. Dados anonimizados ficam de fora.
Guia · Regulamento chinês
A PIPL é a lei de proteção de informações pessoais da China continental. Ela alcança empresas de fora que oferecem serviços ou analisam o comportamento de pessoas no país, exige consentimento separado em vários casos e prevê multas de até 5% do faturamento. Veja o que isso significa para um site com visitantes chineses.
O que é
A Lei de Proteção de Informações Pessoais da República Popular da China, conhecida como PIPL, foi aprovada em 20 de agosto de 2021 e entrou em vigor em 1º de novembro de 2021. Ela funciona junto com a Lei de Cibersegurança e a Lei de Segurança de Dados e vale para a China continental. Hong Kong e Macau têm leis próprias.
A coordenação da fiscalização fica com a Administração do Ciberespaço da China, a CAC, que também publica as regras complementares. Outros órgãos do governo fiscalizam dentro das suas áreas.
A lei vale para tratamento de dados feito dentro da China e também fora dela, quando o objetivo é oferecer produtos ou serviços a pessoas no país ou analisar e avaliar o comportamento delas. Um site estrangeiro que perfila visitantes chineses para anúncios pode, portanto, estar sujeito à lei.
Empresas de fora alcançadas pela PIPL precisam criar um escritório ou nomear um representante na China para cuidar da proteção de dados e informar esses contatos às autoridades. A lei também permite que a CAC coloque numa lista de restrição organizações estrangeiras que violem os direitos de cidadãos chineses.
Checklist
O que a PIPL pede de um site com anúncios que trata dados de pessoas na China continental.
Antes de tratar os dados, informe em linguagem clara quem é você e como contatá-lo, as finalidades, os modos, os tipos de dados, o prazo de guarda e como exercer os direitos. O Google também exige que a política diga que terceiros, como o Google, usam cookies para mostrar anúncios.
O consentimento precisa ser voluntário, explícito e informado, e deve ser pedido de novo se a finalidade mudar. A pessoa pode retirá-lo, e o site precisa oferecer um jeito fácil. Com tags do Google, o Consent Mode pode começar negado só para a China.
gtag('consent', 'default', {
'ad_storage': 'denied',
'ad_user_data': 'denied',
'ad_personalization': 'denied',
'wait_for_update': 500,
'region': ['CN']
});Antes de repassar dados a outro processador, como um parceiro de anúncios, informe o nome e o contato dele e peça um consentimento separado.
Permitir que nossos parceiros de anúncios, listados abaixo, recebam meus dados: Sim ou Não.
Marketing feito por decisão automatizada precisa oferecer uma opção que não use as características pessoais do visitante ou um jeito fácil de recusar.
Dados sensíveis pedem consentimento separado e uma explicação de por que são necessários. Dados de menores de 14 anos pedem o consentimento dos pais ou responsáveis.
Informe quem recebe os dados no exterior, a finalidade e como exercer os direitos, e peça consentimento separado. Use também um dos caminhos da lei, como avaliação de segurança, certificação ou contrato padrão.
Faça a avaliação antes de tratar dados sensíveis, usar decisões automatizadas, repassar dados ou enviá-los ao exterior. Guarde o relatório e os registros por pelo menos três anos.
Se o site está fora da China e a lei o alcança, crie um escritório ou nomeie um representante no país e informe os contatos às autoridades. Confira com seu jurídico se o seu site se enquadra.
Na prática
Ferramentas oficiais
O Google não exige CMP certificada nem tem mensagem própria para a China, então os links abaixo são o texto oficial da lei, a regra da CAC e as páginas do Google para configurar por região.
Definições
Os nomes lembram o GDPR, mas o conteúdo de cada um tem diferenças importantes.
Qualquer informação ligada a uma pessoa identificada ou identificável, registrada por meio eletrônico ou não. Dados anonimizados ficam de fora.
Biometria, religião, identidades específicas, saúde, contas financeiras, rastreamento de localização e qualquer dado de menores de 14 anos.
Quem decide a finalidade e o modo do tratamento, o equivalente ao controlador do GDPR. Quem trata em nome dele é o terceiro contratado.
Um consentimento à parte, dado só para aquele uso específico, sem ficar misturado com o aceite geral dos termos ou da política.
Bases legais e consentimento
A PIPL lista as situações em que o tratamento é permitido: consentimento, necessidade para um contrato ou para a gestão de pessoal, cumprimento de dever legal, emergências de saúde pública e proteção da vida, reportagem jornalística de interesse público e uso razoável de dados já tornados públicos. Diferente do GDPR e da LGPD, não existe a base de interesse legítimo.
Por isso, para cookies de anúncios, perfis de público e remarketing, o caminho normal é o consentimento. Ele precisa ser voluntário, explícito e dado com pleno conhecimento. Se a finalidade, o modo ou o tipo de dado mudar, é preciso pedir de novo. A pessoa pode retirar o consentimento a qualquer momento, e o site precisa oferecer um jeito fácil de fazer isso.
A lei exige consentimento separado em casos específicos: compartilhar dados com outro processador, publicar dados pessoais, tratar informação sensível e enviar dados para fora da China. Na prática, um aceite genérico no banner não cobre o repasse dos dados a parceiros de anúncios nem a transferência internacional.
Para marketing e anúncios baseados em decisões automatizadas, o site precisa oferecer também uma opção que não use as características pessoais do visitante ou um jeito simples de recusar. Dados de menores de 14 anos exigem consentimento dos pais ou responsáveis e regras próprias de tratamento.
Direitos das pessoas
O site precisa ter um meio prático de receber os pedidos e, se recusar algum, explicar o motivo.
Ser informado sobre o tratamento e decidir sobre ele, inclusive limitar ou recusar o uso dos próprios dados.
Consultar e receber uma cópia das informações pessoais que o site guarda.
Pedir que os dados sejam transferidos para outro processador, nas condições definidas pela CAC.
Pedir a correção de dados errados e a complementação de dados incompletos.
Pedir a exclusão quando a finalidade foi cumprida, o consentimento foi retirado ou o tratamento é irregular.
Pedir que o site explique as regras de tratamento e recusar decisões importantes tomadas só por sistema automatizado.
Obrigações
Fiscalização e multas
A lei combina ordens de correção, multas para a empresa e para as pessoas responsáveis e efeitos no histórico de crédito.
Ordem de correção, advertência, confisco de ganhos ilegais e suspensão de aplicativos. Se a empresa não corrigir, multa de até 1 milhão de iuanes.
Multa de até 50 milhões de iuanes ou até 5% do faturamento do ano anterior, além de suspensão de atividades e cassação de licenças.
Dirigentes e responsáveis diretos podem pagar de 100 mil a 1 milhão de iuanes nos casos graves e ser proibidos de ocupar cargos de direção por um período.
As infrações são registradas no histórico de crédito da empresa e publicadas, o que pesa em licenças e contratos na China.
Linha do tempo
A PIPL vem sendo detalhada por regulamentos da CAC desde que entrou em vigor.
O Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo aprova a PIPL.
A lei passa a valer para tratamento de dados dentro e fora da China.
Começam a valer as regras da avaliação de segurança da CAC para envio de dados ao exterior.
Entra em vigor o modelo oficial de contrato para transferência internacional de dados pessoais.
Novas regras criam exceções e faixas por volume para o envio de dados ao exterior.
Passam a valer as regras de auditoria de conformidade com a proteção de informações pessoais.
Entra em vigor o regulamento da certificação, o último dos três caminhos para transferência internacional.
Para quem tem AdSense ou Ad Manager
O Google não exige CMP certificada nem IAB TCF para a China. Essa exigência vale para o Espaço Econômico Europeu, o Reino Unido e a Suíça.
Mesmo assim, o site coleta dados dos visitantes chineses por meio de cookies, analytics e pixels. Se faz isso para analisar o comportamento deles, entra no alcance da PIPL. O caminho seguro é tratar a China continental como região de consentimento prévio na CMP, com banner de aceite explícito e nada disparando antes da escolha.
Pense num site brasileiro sobre importação que tem uma página em chinês para atrair fornecedores. O formulário de contato coleta nome, empresa e WeChat. Esse site precisa de aviso de privacidade claro, consentimento para o uso dos dados e cuidado redobrado se pretende repassar os contatos a parceiros.
Para a maioria dos sites de conteúdo, o resultado prático é simples: configurar a CMP por região, manter uma política completa e evitar coletar dados sensíveis de visitantes chineses.
Na prática
Exemplos do dia a dia de sites que recebem público da China continental.
Erros comuns
Falhas frequentes em sites com público chinês.
A PIPL não tem essa base. Rastreamento para anúncios sem consentimento fica sem justificativa.
A lei exige consentimento separado para repasse a terceiros, dados sensíveis e envio ao exterior. Um único botão genérico não cobre esses casos.
Rastreamento de localização individual é informação sensível. Pedir a localização precisa só para mostrar conteúdo local pode ser desnecessário.
Mesmo com poucos visitantes chineses, cookies e pixels continuam coletando dados deles, e a lei não traz um volume mínimo para o aviso e o consentimento.
A lei pede o nome e o contato de quem recebe os dados no exterior. Textos genéricos não atendem.
O site precisa receber pedidos de acesso, correção e exclusão e explicar quando recusa algum.
No ConsentMode
Pode valer, se o site oferece produtos ou serviços a pessoas na China continental ou analisa o comportamento delas, como faz o rastreamento para anúncios. Para dúvidas sobre representante ou transferência, procure orientação jurídica local.
É um aceite à parte, só para aquele uso, como o repasse de dados a parceiros ou o envio ao exterior. Ele não pode estar escondido dentro do aceite geral dos termos.
Elas foram pensadas principalmente para quem coleta dados dentro da China e os envia para fora. Um site hospedado no Brasil que coleta dados direto do visitante chinês é alcançado pela regra extraterritorial da lei, e o enquadramento exato nas regras de transferência é uma questão de interpretação que merece orientação jurídica local.
Não. A PIPL vale para a China continental. Hong Kong e Macau têm leis próprias de proteção de dados, e Taiwan também tem a sua.
A Administração do Ciberespaço da China coordena a fiscalização e edita regras complementares. Outros órgãos atuam em suas áreas.
Sim. Em casos graves, dirigentes e responsáveis diretos podem pagar de 100 mil a 1 milhão de iuanes e ser proibidos de ocupar cargos de direção por um período.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site a partir da China continental e mostra o que dispara antes do consentimento, sem alterar nada.