Responsabilidade e qualidade
A parte responsável responde pelo cumprimento de todas as condições e precisa manter os dados completos, corretos e atualizados.
Guia · Regulamento sul-africano
A POPIA é a lei de proteção de dados da África do Sul. Ela protege pessoas e também empresas, tem regras duras para marketing por e-mail e SMS e prevê multas e até prisão. Veja o que ela pede de um site com visitantes sul-africanos e o que isso muda nos anúncios.
O que é
A Protection of Personal Information Act, ou POPIA, é a Lei 4 de 2013 da África do Sul. A maior parte dela passou a valer em 1º de julho de 2020, com um ano de adaptação que terminou em 30 de junho de 2021. Quem fiscaliza é o Information Regulator, um órgão independente que também cuida da lei de acesso à informação do país.
A lei usa nomes próprios. Quem decide por que e como os dados são usados é a parte responsável, o equivalente ao controlador do GDPR. Quem trata os dados em nome dela é o operador. A pessoa a quem os dados se referem é o titular, e aqui está uma diferença importante: na POPIA, empresas e outras pessoas jurídicas também são titulares protegidos.
Informação pessoal é tudo o que identifica alguém, como nome, e-mail, telefone, localização, identificadores online e opiniões. Existe ainda a informação pessoal especial, que inclui religião, origem racial, saúde, vida sexual, opinião política, biometria e antecedentes criminais. Dados de crianças, que na lei são menores de 18 anos, têm proteção própria.
A lei vale para a parte responsável estabelecida na África do Sul e para a de fora que usa meios no país para tratar dados. Se isso alcança um site estrangeiro que apenas recebe visitantes sul-africanos é uma questão de interpretação. O caminho prudente para quem tem esse público é seguir as regras básicas de transparência, segurança e marketing.
Checklist
O que a POPIA e o Information Regulator pedem de um site com anúncios que recebe visitantes da África do Sul.
Diga o que coleta, quem é o responsável e o endereço, a finalidade, se fornecer é voluntário, se os dados vão para outro país e quais os direitos, inclusive reclamar ao Regulador. O Google também exige que a política diga que terceiros, como o Google, usam cookies para mostrar anúncios.
Coletamos seu e-mail para enviar alertas de vagas. O envio é voluntário. Você pode pedir acesso, correção ou exclusão e reclamar ao Information Regulator.
Numa empresa, o Information Officer é por padrão o principal executivo. Ele só pode assumir a função depois de registrado no portal do Information Regulator.
E-mail, SMS e mensagens de marketing só podem ir para quem consentiu ou para clientes, sobre produtos parecidos. O pedido de consentimento pode ser feito uma única vez e só se a pessoa não recusou antes.
Cada mensagem de marketing precisa identificar o remetente e trazer um contato para pedir o fim dos envios.
Você recebe este e-mail da Empresa Exemplo. Para não receber mais, clique em Cancelar inscrição.
A pessoa pode se opor ao uso baseado em interesse legítimo e, a qualquer momento, ao marketing direto. Depois da oposição, o uso daqueles dados precisa parar.
Religião, origem racial, saúde, vida sexual, opinião política e biometria são proibidos em regra. O consentimento da pessoa é uma das exceções, e o Google não aceita anúncios personalizados baseados nesses dados.
Dados de crianças só podem ser tratados com o consentimento prévio de uma pessoa competente, como pai, mãe ou responsável, salvo nas exceções da lei.
Se houver motivo para crer que alguém sem autorização acessou dados pessoais, avise o Regulador e, em regra, as pessoas afetadas, assim que for razoavelmente possível.
Na prática
Ferramentas oficiais
O Google não exige CMP certificada nem tem mensagem própria para a África do Sul, então os links abaixo são do Google e do Information Regulator.
O coração da lei
A POPIA organiza tudo em oito condições. Se uma delas falha, o tratamento deixa de ser lícito.
A parte responsável responde pelo cumprimento de todas as condições e precisa manter os dados completos, corretos e atualizados.
Colete só o necessário, com uma justificativa válida, e para uma finalidade específica e explícita, guardando os dados só pelo tempo preciso.
Um novo uso precisa ser compatível com o original. E a pessoa precisa saber, no momento da coleta, quem coleta, para quê e quais são os direitos dela.
Proteja os dados com medidas técnicas e organizacionais e permita que a pessoa acesse, corrija e peça a exclusão das informações.
Bases legais, cookies e marketing
A POPIA aceita seis justificativas para tratar dados: consentimento, execução de contrato, obrigação legal, proteção de um interesse legítimo do titular, cumprimento de dever público e interesse legítimo da parte responsável ou de um terceiro. O titular pode se opor ao tratamento baseado em interesse legítimo, e desde 2025 essa oposição é gratuita e pode ser feita por vários canais.
A lei não tem uma regra específica sobre cookies, como o PECR britânico. Mas cookies e identificadores que permitem reconhecer um visitante são informação pessoal, e por isso o site precisa de uma justificativa e precisa avisar. Para rastreamento de anúncios, o consentimento é a base mais segura e a mais fácil de demonstrar.
O ponto mais rígido da lei é o marketing direto por meios eletrônicos, como e-mail, SMS e ligações automáticas. Ele só é permitido com consentimento ou para clientes que já compraram algo, desde que a oferta seja de produtos parecidos e que a pessoa tenha recebido, na coleta e em cada mensagem, um jeito simples e gratuito de recusar.
O site pode pedir esse consentimento uma única vez, e só se a pessoa não o tiver recusado antes. As regras atualizadas em abril de 2025 dizem que o consentimento pode ser obtido por qualquer meio acessível, mas não pode ser presumido pelo silêncio nem por caixa pré-marcada. Toda mensagem precisa identificar o remetente e trazer um contato para pedir a interrupção.
Direitos das pessoas
Valem para pessoas e também para empresas cujos dados o site trata.
Saber que os dados estão sendo coletados e ser informado se houve acesso indevido a eles.
Perguntar se o site guarda dados sobre ela e receber uma descrição do que existe e de quem teve acesso.
Pedir a correção ou a exclusão de dados errados, excessivos ou obtidos de forma irregular. Desde 2025, o pedido é gratuito e a resposta deve vir em até 30 dias.
Recusar o tratamento baseado em interesse legítimo e, a qualquer momento, o uso dos dados para marketing direto.
Não ser alvo de decisões com efeito importante tomadas apenas por sistemas automatizados, salvo nas exceções da lei.
Apresentar queixa ao Information Regulator e entrar na Justiça para pedir reparação.
Obrigações
Fiscalização e multas
O Regulador recebe queixas, investiga e emite notificações de cumprimento. Ignorar uma notificação é o caminho mais rápido para a multa.
O Regulador pode aplicar multa de até 10 milhões de rands por meio de uma notificação de infração. Desde 2025, é possível negociar o pagamento em parcelas.
Obstruir o Regulador ou descumprir uma notificação de cumprimento pode levar a até 10 anos de prisão, multa ou ambos. Outras infrações têm pena de até 12 meses.
Em julho de 2023, o Regulador aplicou a primeira multa da lei: 5 milhões de rands ao Departamento de Justiça, por não cumprir uma notificação ligada a falhas de segurança.
O titular, ou o Regulador em nome dele, pode pedir indenização por danos causados por tratamento irregular.
Linha do tempo
A POPIA levou anos para sair do papel. Estas são as datas principais.
A POPIA é sancionada como Lei 4 de 2013, mas quase todo o texto fica aguardando data de início.
Entram em vigor as definições e as regras que criam o Information Regulator.
As obrigações principais entram em vigor, com 12 meses para as empresas se adaptarem.
Termina o prazo de transição e a lei passa a ser cobrada por inteiro.
O Regulador multa o Departamento de Justiça em 5 milhões de rands.
Novas regras para oposição gratuita, pedidos de correção, consentimento para marketing direto e reclamações passam a valer imediatamente.
Para quem tem AdSense ou Ad Manager
O Google não exige CMP certificada nem IAB TCF para a África do Sul. Essa exigência vale para o Espaço Econômico Europeu, o Reino Unido e a Suíça. Por isso, o tráfego sul-africano continua recebendo anúncios personalizados sem a mensagem do TCF.
Isso não tira do site as obrigações da POPIA. A política de privacidade precisa citar o uso de cookies e os parceiros de anúncios, e o visitante precisa ter como se opor e como exercer os direitos dele. Se o site quiser pedir consentimento para cookies de anúncios no país, a CMP pode fazer isso por região, e o Consent Mode repassa a escolha às tags do Google.
Imagine um site brasileiro de vagas de emprego em inglês que recebe visitantes de Joanesburgo e da Cidade do Cabo e oferece alertas de vagas por e-mail. O banner de cookies pode ser simples, mas o formulário de alertas precisa de consentimento claro, sem caixa marcada, e cada e-mail precisa ter um link para cancelar.
Como a POPIA protege também empresas, um site que capta contatos corporativos, por exemplo para anunciantes, precisa tratar esses dados com o mesmo cuidado que trata dados de pessoas.
Na prática
Exemplos do dia a dia de sites de conteúdo, vagas e finanças com público sul-africano.
Erros comuns
Falhas frequentes em sites que recebem público da África do Sul.
A falta de CMP obrigatória no país não dispensa a política de privacidade, o direito de oposição nem as regras de marketing.
Contatos de anunciantes, fornecedores e parceiros também são dados protegidos pela POPIA.
Caixa pré-marcada ou texto escondido não valem. O regulamento de 2025 deixou isso explícito.
A lei exige que o encarregado seja registrado no portal do Regulador antes de assumir a função.
Dados de visitantes vão para servidores do Google e de outros parceiros fora do país. A política precisa dizer isso.
Pedidos de correção e exclusão precisam ser respondidos em até 30 dias, e o site precisa ter um canal claro para recebê-los.
No ConsentMode
A POPIA não tem uma regra específica de banner. O site precisa avisar sobre os cookies e ter uma justificativa para usá-los. Para rastreamento de anúncios, pedir consentimento é o jeito mais seguro, e uma CMP configurada por região resolve sem afetar outros públicos.
Não há exigência de CMP certificada para a África do Sul. As políticas gerais do Google para editores continuam valendo, como ter uma política de privacidade que mencione os cookies e os parceiros de anúncios.
Não para marketing. O contato foi dado para outra finalidade. Para enviar ofertas, você precisa de consentimento ou de uma relação de cliente com produto parecido.
Por padrão é o principal executivo da empresa, que pode designar adjuntos. O registro é feito no portal do Information Regulator.
Em muitos pontos, sim: bases legais, direitos e encarregado. As diferenças mais visíveis são a proteção de empresas como titulares, a idade de 18 anos para criança e a regra rígida de marketing eletrônico.
Sim, para crimes específicos, como obstruir o Regulador ou descumprir uma notificação de cumprimento. Para a maioria das falhas do dia a dia, o caminho é a notificação e a multa administrativa.
Biblioteca
Este guia foi escrito a partir destas páginas oficiais. Leia direto na fonte:
A auditoria abre o site a partir da África do Sul e mostra o que corrigir em banner, formulários e política, sem alterar nada.